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Crítica|The Defenders 1.08 – The Defenders

Defensores termina sua primeira temporada com muita confusão e certa luz no fim do túnel

O que é ser um herói? Essa é a pergunta levantada por 10 entre cada 10 produções do gênero. Usualmente o sacrifício vem atrelado a resposta. No último episódio da primeira temporada de Defensores (não se engane pelo título minissérie), a cena final representou algo diferente do sacrifício feito por Tony Stark no final de Vingadores, com o bilionário, playboy e filantropo levando um míssil nuclear para o espaço, sem esperanças de voltar. Matt Murdock usou seu sacrifício não pela cidade de Nova York, mas por Elektra, o amor de sua vida. E essa cena diz muito a respeito da produção de heróis urbanos da Marvel. No fim das contas, essas pessoas estão sim preocupadas com suas vidas, tanto quanto a de outras.

Defensores tem a cidade de Nova York como o quinto personagem, a “donzela” indefesa que guarda segredos milenares em seu porão. A própria abertura da série com o rosto de cada defensor desenhado entre ruas e prédios deixa bem claro que estamos lidando com uma série que coloca a proteção da cidade e sua existência como algo fundamental para a compreensão da história. Por isso, encontrar a ossada de um dragão no subterrâneo do prédio da Midland é o fechamento perfeito para uma trama que começou lá em Demolidor.

A missão do Tentáculo então se torna algo bem simplório e até mesmo inconsequente com tanta preparação. Por muito tempo eles mencionaram que a base seria voltar para K’un L’un para conseguir reaver a imortalidade que tanto almejavam. Só que no fim, a descoberta do dragão reposiciona estes jogadores em outro tipo de tabuleiro. Não li a conexão do dragão com o futuro de Nova York em perigo como algo relacionado meramente ao físico. Acredito que a essência daquela criatura, que quando transformada em substância pode trazer os mortos de volta a vida, se retirada daquele local seria responsável pela lenta morte da cidade. De certa forma, a substância está mantendo Nova York, algo que também ajuda a salientar a participação da cidade como a de um personagem, vivo, dependente daqueles poderes místicos tanto quanto do Sancto Sanctorum do Doutor Estranho.

Porém, este último episódio termina incrivelmente confuso e com batidas de fã service que infelizmente não justificam algumas saídas. As lutas como sempre foram bem feitas, mas existiu pouca coesão entre as habilidades especificas de cada Defensor. Se em Vingadores tivemos o martelo do Thor e o escudo do Capitão América criando algo exclusivo entre eles, em Defensores tudo soou muito individualista. Ora, até mesmo o sacrifício de Matt foi algo somente dele e que não apenas o isolou dos outros heróis, mas também de sua base com Karen e Foggy.

Por outro lado gostei bastante de ter os coadjuvantes de cada série interagindo. Este aspecto da série foi o mais valioso. Ver como cada um daqueles personagens respondia a realidade do outro teve um valor muito grande. Ao mesmo tempo, perceber que realmente eles fazem parte do mesmo mundo, apesar de quase não terem reconhecido isso em suas séries (tirando Luke e Jessica), mostra que o papel de um universo unificado não é tão satisfatório quanto imaginávamos lá em Incrível Hulk, quando Tony Stark entra no bar que o sargento Ross está e o “recruta”.

E no meio desta salada de finale, temos vários outros sacrifícios feitos em prol do bem maior. Foi interessante ter Colleen, Misty e Claire se unindo, porque casa com uma revista em que Misty e Colleen são parceiras, a ‘Filhas do Dragão’, mas a perda do braço, que deveria ser um momento chocante e também de conexão com as páginas, termina um pouco anticlimático. É fato que Misty precisava estar mais envolvida com aqueles personagens para que sua perda representasse algo real para o telespectador. Para quem decidiu abandonar Luke Cage ou nunca o assistiu, aquela cena foi chocante, apenas, mas não conseguiu atingir o potencial que deveria.

Contudo o final serviu para posicionar outro personagem que estava carente de algo melhor trabalhado. Danny Rand terminou com uma missão, finalmente uma que o insere como um homem melhor trabalhado e não apenas uma criança querendo se auto afirmar. Danny terminou ali, no teto de Nova York, com suas cores tradicionais e com a promessa de ser o Defensor que o Demolidor havia sido antes de sua aparente morte. Neste pontoa a série acerta porque precisamos gostar do Danny, precisamos torcer pelo Punho de Ferro. Quando Elektra o usa para abrir a porta o que temos é a confirmação de que aquele homem é extremamente imaturo. Fica difícil torcer por uma criança quando a criança já tem quase 30 anos, não é mesmo?

Defensores termina depois de muita confusão e com um season finale que acompanha a sensação de que várias tramas ocorreram, mas que nada realmente foi mostrado. Sim, o valor de ter todos os Defensores lutando juntos é grandioso, mas a série precisava de um arco final mais bem solidificado. Não ter dado para Alexandra o poder que ela precisava ou a liderança que ela merecia, ter optado por não mostrar quase nada dos conflitos políticos do Tentáculo e terem colocado Elektra como a grande vilã figura como os erros que poderiam facialmente ter sido resolvidos. Claro que aproveitei e gostei muito do que vi, mas eu esperava mais.

Easter eggs e outras informações.

– Matt termina a série na cama, enquanto uma freira chama por outra de nome Maggie. Esta cena é a recriação do painel de ‘Born Again/A Queda de Murdock’ e a freira em questão é Maggie Murdock, mãe de Matt. Será que teremos este arco na terceira temporada da série?

– Misty Knight perdeu o braço em uma cena relativamente similar a das histórias em quadrinhos. Se nas páginas ela teve o braço decepado ao segurar uma bomba, aqui ela o teve cortado enquanto Claire ativava uma. Nas páginas ela depois ganhou um biônico, cortesia das industrias Stark. Aqui seria uma perfeita desculpa para finalmente unir Agents of SHIELD e o universo da Marvel Netflix. Alguém liga para o Coulson, por favor.

– No cartão da Misty no hospital é possível ver o nome L. Carter, que é o nome da Night Nurse original.

– Os médicos Dr. Tony Isabella e Dr. Arvell Jones são os criadores da personagem nos quadrinhos.

– E o P03-12 faz referência a primeira aparição da Misty, em Marvel Premiere #21, lançado em 1975.

– A roupa que o Danny usa no final também se parece muito com o uniforme que o Punho de Ferro adotou mais recentemente, como se fosse um grande macacão de ginástica verde com listras amarelas.

Defensores termina sua primeira temporada com muita confusão e certa luz no fim do túnel O que é ser um herói? Essa é a pergunta levantada por 10 entre cada 10 produções do gênero. Usualmente o sacrifício vem atrelado a resposta. No último episódio da primeira temporada de Defensores (não se engane pelo título minissérie), a cena final representou algo diferente do sacrifício feito por Tony Stark no final de Vingadores, com o bilionário, playboy e filantropo levando um míssil nuclear para o espaço, sem esperanças de voltar. Matt Murdock usou seu sacrifício não pela cidade de Nova York, mas…

The Defenders

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Nota

The Defenders termina depois de muita confusão e com um season finale que acompanha a sensação de que várias tramas ocorreram, mas que nada realmente foi mostrado. Sim, o valor de ter todos os Defensores lutando juntos é grandioso, mas a série precisava de um arco final mais bem solidificado.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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