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Lista|5 produções que mostram o poder contra minorias

Notícias sobre retrocessos e o avanço do conservadorismo se tornaram quase que rotineiras.

A ficção retrata a realidade e é uma boa forma para compreender alguns movimentos sociais e políticos tão abstratos. Por isso listamos algumas produções que abordar as questões de poder, política e religião.

1 – Game Of Thrones [Série e Livro]

“Sem dúvida, muitos de nós irão cair. Mas quem somos nós? Não temos nomes, nenhuma família, todos somos pobres, sem poderes, e ainda assim, juntos, podemos derrubar um império.”

A série ficou famosa por seus dragões, traições e reviravoltas na trama, mas GoT traz de forma bem simples como uma política contaminada por uma religião conservadora e ditatorial pode ser um perigo para a sociedade.

Na quinta temporada, temendo perder a coroa e o restante de seu poder dentro de Kingsland, Cersei faz aliança com o líder religioso conhecido como Pardal. Ele é o líder da antiga Fé Militante, tementes aos antigos deuses e que defendem o desapego dos bens materiais. Os seguidores mais fanáticos, chamados de pardais, são contra diversos comportamentos da sociedade, como a homossexualidade, o sexo sem fins de procriação, o adultério, mentiras e também contra outras religiões, e utilizam da violência para garantir o cumprimento da “fé”.

No começo, a aliança entre a Coroa e o Alto Pardal (que foi eleito Alto Septão, graças a influência de Cersei) parece ser algo viável, porém quando os pardais tomam o poder e impõe a Fé Militante à todos de Porto Real, fica evidente que a liberdade individual se torna ameaçada. O Alto Pardal (interpretado por Jonathan Pryce) mostra que impérios e leis podem ser derrubadas através do fanatismo religioso na tomada do poder.

 

2 – V de Vingança [HQ e Filme]

“Eu me lembro de como “diferente” virou “perigoso”. Eu ainda não compreendo por que nos odeiam tanto.”

Em um futuro distópico, sob um falso discurso de salvar a população da Inglaterra de uma doença que se espalha pelo planeta (após a Terceira Guerra Mundial), o governo é tomado por líderes religiosos. Estes líderes ganham apoio popular e para manter o controle, passam a vigiar os cidadãos e censurar a liberdade de expressão de todos. Os veículos de comunicação são tomados e se tornam ferramentas do governo. Livros, filmes, músicas e todo tipo de arte são proibidos, para eliminar qualquer tipo de revolução popular. Há toques de recolher todos os dias e qualquer divergência ou diversidade é vista como ameaça à nação.

Logo, homossexuais, estrangeiros, negros e todos aqueles que não concordam com o governo são presos, torturados, interrogados, enviados à campos de concentração e utilizados em experimentos para criação de armas biológicas e medicamentos.

A violência, a censura e a ditadura se tornam justificáveis e aceitáveis durante um período por grande parte da população, devido ao medo disseminado pelos discurso conservadores de terrorismo, doença e pandemia.

Depois de um tempo, e graças ao anti-herói V, a população começa a perceber que a troca da liberdade por uma falsa segurança não foi um bom negócio.

 

3 – Star Wars [Filmes]

“Então é assim que a liberdade morre, com um estrondoso aplauso.”

A saga Star Wars possui um plano de fundo político bem claro, na luta entre Império e Rebeldes. O Império, liderado por Palpatine ou Darth Sidious, utiliza como discurso a ameaça que os Jedis e suas filosofias podem trazer para a sociedade.

A política é utilizada para alcançar objetivos escusos, através de alianças e um golpe militar, algo bem familiar na história brasileira.

Em Star Wars Episódio III – A Vingaça dos Siths, temos uma das cenas mais icônicas de toda a saga, onde o Senado concede plenos poderes a Palpatine, tornando-o Imperador. Algo que sempre acontece em uma ditadura: ela sempre recebe o apoio popular, seja sob um discurso religioso, de segurança ou anti-corrupção. Estes discursos produzem medo na grande massa, e como a própria filosofia Jedi já explica: O medo leva à raiva, a raiva leva ao ódio e o ódio leva ao sofrimento.

E o poder a grupos fascistas e ditatoriais é sempre oferecido pelo povo, seja por seu apoio ou por sua isenção.

Após a opressão se tornar algo insustentável, surge o movimento de rebelião, que busca recuperar a República. A Aliança Rebelde necessita utilizar de violência e armas para a derrubada do Império, e por isso é apresentada pelo Império para a população como um grupo perigoso para a ordem, gerando desconfiança e medo.

 

4 – X-Men [HQs e Filmes]

“Essa cura é voluntária. Ninguém falou de extermínio!”

Os X-Men foram imaginados por Jack Kirby e Stan Lee como uma representação às lutas dos negros por seus direitos civis. Os mutantes representavam, na década de 60, os negros que eram perseguidos, discriminados e, muitas vezes, mortos por uma sociedade racista. Apesar de retratar os negros, o discurso de resistência e preconceito nas HQs dos X-Men também se encaixa em outras minorias, como os LGBTTQs, judeus, etc.

Entre as histórias dos X-Men, lutando contra vilões com superpoderes, podíamos encontrar várias referências sobre as consequências que a opressão social pode causar na mente dos indivíduos. Assim como podíamos encontrar posições diversas em relação ao preconceito e a discriminação, como por exemplo, o Professor Xavier e Magneto. E outros personagens que mantinham-se isentos das discussões sociais e políticas, como Gambit e Wolverine, por acharem que isso não os afetava.

Assim como outros personagens que tinham orgulho das diferenças que os constituíam, como Tempestade, Medula e Callisto, enquanto outros tinham vergonha e buscavam se encaixar na “normalidade”, como Vampira e Noturno.

As histórias em quadrinhos dos X-Men são recheadas de metáforas e representações de como a política colabora para a manutenção de preconceitos e discriminações contra grupos minoritários.

Estas discussões foram – felizmente – transportadas para as telonas, nas adaptações cinematográficas dos mutantes, alcançando também aquele público que não tiveram acesso aos quadrinhos.

 

5 – The Handmaid’s Tale [Série e Livro]

“Quando aniquilaram o Congresso, não acordamos. Quando culparam terroristas e suspenderam a Constituição, também não acordamos. Disseram que seria temporário.”

A mais comentada recentemente, graças aos prêmios conquistados – merecidamente – no último Emmy, The Handmaid’s Tale (O Conto da Aia). Na série, o número de nascimentos cai drasticamente no mundo todo devido à esterilidade da população devido a IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis), o excesso de poluição e mudanças climáticas.

Um grupo militar religioso, que se autointitulam “Os Filhos de Jacó”, dão um golpe de Estado, tomando o Congresso, revogando a Constituição, fechando contas bancárias e retirando os direitos das mulheres, tudo em nome da Fé.

Os Estados Unidos da América se torna Gileade, onde gays, lésbicas, apoiadores do aborto e seguidores de outras religiões são executados.

As mulheres “férteis” são escravizadas e se tornam Aias, responsáveis por gerar filhos para os líderes políticos desta população. Mulheres pobres “não férteis” se tornam escravas domésticas e mulheres ricas “não férteis” perdem qualquer voz dentro da sociedade.

A trama mostra que a tomada do poder, o genocídio e a retirada dos direitos individuais, se tornam justificáveis sob justificativas religiosas. A série mostra de forma brilhante como a acomodação da sociedade durante a articulação de políticos conservadores pode custar um preço alto.

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Estas produções retratam de forma metafórica e indireta como os direitos individuais são coisas frágeis, principalmente para minorias. Os direitos alcançados por parte dos LGBTTQs nos últimos anos fizeram com que as novas gerações perdessem o medo da perda destas conquistas, e a falta de medo limita a compreensão de uma pessoa sobre a forma como as pessoas com medo pensam.

É importante perceber que muitos retrocessos estão acontecendo agora mesmo na política e na sociedade, sob discursos que pregam moralidade, ordem, tratamento de saúde e anticorrupção, mas com interesses ocultos e mascarados.

A consciência e o interesse sobre estes temas é essencial para que estas histórias da ficção não se tornem realidade.

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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