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Crítica|Star Trek: Discovery 1.03 – Context is for Kings

E com Context is for Kings, Star Trek: Discovery finalmente começa sua jornada.

Seis meses após os eventos no limite do espaço controlado pela federação e a área do Império Kinglon, Michael está em um transporte de prisioneiros, sendo alocada para uma zona de mineração, até que sua nave é atingida por insetos espaciais que consomem energia, bem parecidos com os de uma pesquisa conduzida pela USS Discovery, a nave que salva Michael e outros prisioneiros. Estranho, não? Totalmente. E é neste tom de perigo e mistério que a primeira amotinada da Federação é apresentada a uma nova, porém familiar, hostil tripulação.

E o que fazer quando metade da tripulação, incluindo aqueles que você já conhecia, te tratam com absoluto desprezo? Bom, não importa o que faríamos, o que vale aqui é o que Michael fez. Ela salvou o dia. E salvou o dia enquanto recitava, da memória, um texto escrito a milhares de anos. Para transformar Michael em uma heroína, Discovery precisou fazer com que sua tripulação agisse como vilã – ou o mais próximo possível disso. A colega de quarto que a despreza, a chefe de segurança que a abomina e o Capitão misterioso que age nos bastidores, como uma ameaça. Tudo muda, claro, quando Michael consegue escapar do monstro e voltar para a nave, onde recebe a oportunidade de voltar a ser parte de uma tripulação, mesmo que longe do posto de primeiro oficial, agora de Saru.

Michael é colocada novamente em uma bateria de testes, uma forma encontrada pelo roteiro para provar para o telespectador e também para seus novos companheiros que ela é capaz, física e intelectualmente. É preciso trazer de volta a imagem da mulher que foi promovida a primeiro oficial por um motivo. Entretanto o estigma que Michael carrega ainda a coloca como a primeira pessoa a amotinar contra a Federação e também aquela que começou a guerra contra os Klingons.

O roteiro bem escrito consegue balancear bem ambos os momentos do episódio. Enquanto “novata” Michael mantém uma reputação que muitos gostariam de evitar, a todo custo, incluindo Saru. E o texto não faz muita questão de nos posicionar dentro da Nave. Não existem cenas com o plano aberto, mostrando o casco da Discovery, seu exterior ou a beleza do espaço. Ao contrário, a sensação de provisório é exposta através de cenas rápidas e de pouca explicação. Você não precisa conhecer a nave porque Michael não está ali, incialmente, como parte da tripulação. Logo a divisão proposta é bem executada pelo diretor, Akiva Goldsman.

Outro aspecto do episódio que também encontra o posicionamento correto é a aura de mistério e perigo. Em se tratando de ‘tempos de guerra’ e a sensação de que tudo mudou e de que tudo é possível, inclusive o confronto, Context excedeu expectativas. O episódio também conseguiu transferir para o telespectador toda a montagem necessária para nos fazer acreditar que a guerra modificou o espírito da tripulação. Temos aqui uma oficial de segurança bem mais agressiva, cientistas desenvolvendo tecnologias centralizadas no potencial embate e necessidade de fuga e um capitão guardando esqueletos e mistérios em seu guarda-roupas.

Exatamente por esse motivo outro acerto de Discovery foi a introdução de um novo capitão, Lorca (Jason Isaacs). Diferente de Yeoh, Isaacs transmite uma aura de perigo, segredos e risco, um conjunto de sensações que o separa de capitães como Kirk e Archer, por exemplo. Lorca é um homem que explora muito mais o aspecto militar, de alguém capaz de ir até os limites do conhecido e além, se lá existir uma arma capaz de proteger a Federação e/ou eliminar a ameaça. Sua sala cheia de troféus e possíveis armamentos também o elevam a um grau de antecipação muito grande. Do que ele é capaz? Será que o roteiro está sendo construído para nos forçar a questionar o posicionamento deste homem?

“…but this is not a democracy.”

O fato de Lorca ter encontrado em Michael alguém que poderá fazer pela Federação o mesmo que ele, motim, se preciso for, é um claro indicativo de que ainda teremos muitos confrontos ideológicos entre a antiga primeiro oficial e o restante da Discovery. A própria fala de Lorca de que aquela não era uma democracia já demonstra um tipo de agressividade atípico para um capitão da Federação, que outrora tinha como mote “explorar e não se intrometer”. Até o momento, porém, toda adição de elenco, construção de história e narrativa conseguiram impor um excelente ritmo para a série.

Como parte de uma trilogia de prólogo e introdução, Star Trek fez bem ao apresentar seu primeiro capítulo na nave título da série como uma espécie de filme de terror em 20 minutos. A boa utilização de luz e montagem de cena, além da trilha sonora e efeitos especiais, conseguiram elevar a tensão e a qualidade de Star Trek: Discovery a um nível que eu não imaginei possível em tão pouco tempo.

Contexto é para Reis é o mais próximo possível de um típico momento de Star Trek, enquanto os anteriores se aproximam mais dos filmes da realidade alternativa Kelvin. O que temos aqui é a típica missão de reconhecimento que dá errado, mas com um twist que aproxima Discovery do padrão serializado que a franquia usualmente despreza. Dentro deste contexto é possível analisar que este mundo está moldado pela guerra, seis meses após os eventos que levaram a destruição de várias naves da Federação.

Como um todo estamos lidando com a apresentação, em três partes, do que Discovery pretende e o que ela fará em seus próximos capítulos. A guerra, que soa tão presente, mas ao mesmo tempo tão distante, a reaproximação de Michael e a exploração do espaço, a fronteira final, devem compor a estrutura geral da série, até que ela atinja o ponto de maturação.

Direto da ponte de controle, as conexões e easter eggs de Star Trek Discovery

– Na sala do Capitão Lorca é possível ver um esqueleto de um Gorn. A criatura apareceu a primeira vez em Star Trek, de 1967 – Arena.

– A Suus Mahma, arte marcial Vulcan, foi usada a primeira vez em Enterprise, no episódio Marauders.

– Straal mencionou o prêmio conhecido como ‘Zee-Magnees’, mencionado a primeira vez na série original, em The Ultimate Computer e novamente em The Next Generation, por Ira Graves, em The Schizoid Man. Zee-Magnees é o equivalente ao prêmio Nobel, dado pelo Instituto de Pesquisa Teórica para o trabalho que melhor contribuir para a evolução da Federação.

– Michael diz que sua mãe adotiva se chama Amanda, a mãe do Spock. Ela apareceu na série original, interpretada por Jane Wyatt.

– Durante a “visão” da Michael na demonstração feita por Lorca, é possível ver um planeta com um Obelisco, Starbase 11 e área de mineração de Janus VI.

– O chamado ‘Preserver Obelisk’ é uma estátua deixada pelos Preservers nos planetas do quadrante alfa, incluindo Amerind e a lua de Andoria. Em 2268 o Capitão Kirk encontrou um obelisco em Amerind. Seu contato com o Obelisco o deixou sem memória e depois de investigar a respeito da língua alienígena Spock descobriu para que servia a estrutura. O Obelisco serve para emitir um raio defletor mais forte do que a da Enterprise.

– A Base Estelar 11 é o nome de uma base da Federação localizada no planeta M-11. A base guarda uma área de manutenção e reparo para naves. Ela apareceu tanto na série original quanto em TNG.

– Janus VI é o nome do planeta colonizado pela Federação, cerca de 50 anos antes de 2267, com a colônia subterrânea Janus VI. A colônia se tornou uma importante produtora do minério pergium. Quando um novo nível da mina foi aberto e os mineradores começaram a quebrar ovos, foi descoberta uma espécie nativa do planeta, os horta. Quando perceberam que a raça era sapiente, um acordo foi realizado entre ambos.  

E com Context is for Kings, Star Trek: Discovery finalmente começa sua jornada. Seis meses após os eventos no limite do espaço controlado pela federação e a área do Império Kinglon, Michael está em um transporte de prisioneiros, sendo alocada para uma zona de mineração, até que sua nave é atingida por insetos espaciais que consomem energia, bem parecidos com os de uma pesquisa conduzida pela USS Discovery, a nave que salva Michael e outros prisioneiros. Estranho, não? Totalmente. E é neste tom de perigo e mistério que a primeira amotinada da Federação é apresentada a uma nova, porém familiar,…

Star Trek Discovery

Context is for Kings

Nota

Com um roteiro afiado e um episódio forte, Star Trek nos apresenta a tripulação da Discovery e a uma nova tripulação, afetada pelos tempos de guerra.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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  • Michel Furquim

    Muito bom este episódio e adorei Jason Isaacs no papel de Capitão.
    Diferente dos outros capitães (talvez menos Cisco), finalmente uma figura de autoridade.
    E as histórias entre Michael e Spock se tornam cada vez mais próximas.
    Tomara que nosso vulcano favorito faça uma participação especial em Discovery.