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Crítica|Star Trek Discovery 1.04 – The Butcher’s Knife Cares Not For The Lamb’s Cry

Star Trek é uma grande franquia. Com diversos filmes, centenas de episódios e uma marca de sucesso, é seguro esperar que qualquer produção centralizada neste universo fará, de certo modo, sucesso. Com Discovery não é diferente. A mais recente dentro de uma leva de 5, ela chega com orçamento grandioso e potencial para cenas de brilhar os olhos. Entretanto, nem mesmo todo o dinheiro em efeitos especiais consegue esconder um roteiro estranho e desajeitado. Parece que a crescente de episódios bons acabou de encontrar um desafio, assim como nós. 

Faca, como irei chamar o episódio com o título mais longo que já vi, vai até alguns limites um tanto quanto questionáveis enquanto tenta construir a sua base emocional. Michael, que não tinha nenhum motivo para questionar a natureza do animal que a havia atacado anteriormente, antes de qualquer análise ou base cientifica, declara que o destroçador na verdade não é tão maligno assim. É um alongamento de proposta muito longo, tão longo quanto a própria altura do Saru.

“You will fit in perfectly with Captain Lorca”

Discovery, para construir seu quarto capítulo, precisou ir até margens exageradas para desenhar seus personagens e a ameaça da guerra, um tema que já havia sido recorrente no episódio passado. Michael que deveria agir com maior base em dados e não em achismos, interpretou desde o começo que aquele animal na verdade era dócil e só tinha atacado porque sentiu algum tipo de ameaça. Para provar seu ponto de vista, a série antes matou outra personagem feminina, de uma maneira besta e totalmente anti-climática. 

Na verdade Faca soa muito como quebra cabeças cheio de peças desenhadas para não se encaixar. Existem falhas estruturais pesadas, que me preocuparam. Apesar da sensação de urgência ter sido bem empregada, uma aparente tendência da produção, o roteiro multifacetado não foi de fácil digestão. Cada cena, aparentemente pensada para elevar a carga dramática, terminou questionável. Tivemos a morte de Landry, uma personagem que parecia ter muito a oferecer, tanto em termos de amizade quanto de antagonismo para Burnham e que morreu por um erro bobo, sem qualquer chance de ápice emocional. Um desperdício de potencial.  

Do outro lado também tivemos a interação entre Saru e Michael, em outra montagem totalmente desconexa e que serviu a apenas um propósito, ter a frase que destaquei ali em cima e também quebrar mais ainda o relacionamento já complicado entre ele e ela. Claro, a cena dos gânglios da morte até que foram engraçadas, mas teria me contentado com o elevador, já que a parte em que Michael engana o companheiro para tirar proveito de algo facilmente explicável, terminou agridoce. 

Também não pretendo me alongar neste assunto, mas até o testamento de Georgiou soou forçado e bem desproporcional. Aquele era o momento perfeito para dimensionar Michael emocionalmente, oferecer complexidade para a personagem e estava funcionando. Quando a nova integrante do time Discovery recebe a caixa com o testamento e se recusa a descobrir seu conteúdo, tivemos um passo importante para compreender a dor e o remorso de Michael, mas tudo morreu exatamente ali quando entramos no “presente” deixado. O telescópio que estava na Shenzhou foi resgatado, mas deixou um processador de dilítio para trás? Essas são inconsistências que a série de ficção cientifica mais famosa do mundo não se pode dar o luxo de cometer. E infelizmente Discovery o fez.

Também precisamos superar problemas criados pela própria narrativa e mitologia de Star Trek dentro de Discovery. Estamos em uma realidade onde a humanidade e o conceito de humanismo, excedeu o padrão almejado e atingiu um ápice de perfeição. Estamos falando de uma sociedade que superou racismo, homofobia e toda forma de preconceito e discriminação, mas mesmo assim, dentro da USS Discovery, o Capitão aprova a tortura de uma forma alienígena sem nem ao menos tentar compreender sua inteligência e capacidade de dor. Michael, após o fim do episódio, não está feliz porque a colônia de mineração que oferece 40% do abastecimento de dilítio – e que mesmo em tempos de guerra estava desprotegida – foi salva. Ela está decepcionada porque a guerra os forçou a ir contra este processo humanizador e justo da Federação. Só que a série não se alonga neste assunto.

Para conseguir balancear a história de Michael e a Discovery com o império Klingon, tivemos que amargar cenas lentas e arrastadas do diálogo de Voq e L’Rell. O idioma Kinlgon é muito lento e pausado, de uma maneira que quebra totalmente a sensação de perigo e volatilidade da história que estava sendo contada. Todas as vezes que existiu este desvio, a qualidade do capítulo caiu. Não é ruim, estou curioso para saber onde a história do império se encontrará com a da Federação, mas neste quarto episódio ela simplesmente não decolou. 

Acredito que no momento o maior problema de Star Trek Discovery tem sido sua falta de capacidade de construir outros personagens carismáticos. O formato serializado permite uma imersão maior e uma concentração mais forte em cima do tema proposto, porém a falta de fillers termina por criar uma série em que apenas personagem principal e aqueles que gravitam ao seu redor, obrigatoriamente, tenham relevância. E enquanto Discovery não me fizer torcer por estas pessoas, além de Michael, eu permanecerei não atingindo o ponto que a produção almeja com sua grandiosidade e espaço vazio. 

Direto da ponte de controle, as conexões e easter eggs de Star Trek Discovery

– Este é o episódio com o segundo maior título da franquia, atrás apenas de “For the World is Hollow and I Have Touched the Sky“.

– Também tivemos a introdução do chefe médico, Hugh Culber. Não sei vocês, mas senti um clima entre ele e Stamets. 

– Foi revelado que L’Rell e Voq comeram o corpo da Philippa Georgiou. Que fim horrível. 

– Em The Next Generation é mencionado que o planeta Corvan II estava incrivelmente debilitado, devido a poluição. Aqui em Faca ficamos sabendo que Corvan II é um planeta industrial, ajudando a explicar sua situação no futuro.

– Spock nasceu em 2230.02 e Michael em 2226, fazendo dela 4 anos mais velha que o Spock.

Star Trek é uma grande franquia. Com diversos filmes, centenas de episódios e uma marca de sucesso, é seguro esperar que qualquer produção centralizada neste universo fará, de certo modo, sucesso. Com Discovery não é diferente. A mais recente dentro de uma leva de 5, ela chega com orçamento grandioso e potencial para cenas de brilhar os olhos. Entretanto, nem mesmo todo o dinheiro em efeitos especiais consegue esconder um roteiro estranho e desajeitado. Parece que a crescente de episódios bons acabou de encontrar um desafio, assim como nós.  E Faca, como irei chamar o episódio com o título mais longo que…

Star Trek Discovery

"The Butcher's Knife Cares Not For The Lamb's Cry

Nota

Um episódio centralizado em apresentar a tensão já presente, mas que pouco faz para reforçar sua necessidade de existência. 

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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  • Rafaela Oliveira

    O episódio 5 foi tudo! Hugh Culber e Stamets lindos em cena