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Crítica|Star Trek Discovery 1.06 – Lethe

Star Trek apresenta um forte episódio, mas continua matando (ou sumindo) com suas mulheres

Já é a terceira vez que Star Trek sacrifica uma de suas personagens femininas em prol da movimentação da história e da progressão da narrativa dentro da Discovery. Contando por cima e sem considerar baixas do primeiro confronto com os Klingons, já perdemos 3 mulheres importantes e que poderiam ter ajudado a impulsionar a história da série. Esta observação, por enquanto apenas uma observação, serve para levantar a pergunta para a série: será que não existia outra abordagem? E que também ajuda a impulsionar tantas outras. De forma geral, porém, Lethe é um forte capítulo dentro de uma temporada repleta de fortes momentos.

A começar pelo retorno de Sarek, o pai adotivo de Michael e biológico de Spock. A volta do personagem serve, basicamente, para alavancar a história de Michael e também para pintar o futuro de Spock com a Frota Estelar. O trabalho também vai além e conseguimos de quebra uma aproximação maior entre Tilly, Michael e o novo recruta de Lorca. É um movimento que o aproxima da personagem central e ajuda a aprofundar teorias de um espião dentro da Discovery. 

Por enquanto outro ponto de Discovery que também perdura é a sensação de conflito a qualquer minuto. Continuo pontuando que a série está extremamente negativa, perigosa e cada vez mais sombria. É um resultado característico de um período de guerra, mas ainda defendo que precisamos nos conectar mais aos personagens secundários para compreender Star Trek e a nave que dá o nome desta série, como uma unidade. Separados eles não conseguem segurar o interesse da audiência e é necessário que exista uma separação clara entre esta produção e os filmes ambientados no mesmo universo.

Falando de uma série, é essencial que o tempo seja bem utilizado. E se não estamos recebendo muitas informações a respeito dos outros personagens, Michael está ganhando cada vez mais destaque. Claro, ainda tivemos Stamets com um pouco mais de personalidade groovy e Tilly esbanjando personalidade, mas quem está dominando as rédeas, por cinco episódios de seis, é Burnham. 

Toda a história desenvolvida entre ela, Sarek e Amanda, impulsiona a existência da personagem para uma relevância que vai além do que muitos fãs querem aceitar. É fato que Michael e a Discovery ainda enfrentam uma onda de negativismo por parte do público mais antigo da franquia, que não consegue enxergar nesta nova abordagem, um material atrativo para o cânone existente. Exatamente por esse motivo ver Sarek e Amanda, parte importante da mitologia Trek, interagindo novamente com Michael e demonstrando a dinâmica familiar deles, sem incluir Spock – apesar de terem indiretamente – é importante.

A trama que girou ao redor da conexão mental entre Michael e Sarek deu uma ligeira tropeçada no começo, mas encontrou seu ritmo após a primeira tentativa. Foram momentos cruciais para compreender a relação entre pai e filha, além da alma do patriarca vulcano que sempre beirou o místico, quase saído do éter. Aqui ele está bem mais humano, mas ainda mantendo todas as características base de sua raça, com uma ligeira propensão ao amor paterno e já cheio de decepções. 

Só que Lethe não existe unicamente para trabalhar Sarek e Michael, este é um episódio do Lorca, também. Lorca figura como o capitão mais misterioso e dúbio de Star Trek. Sua posição dentro da nave e da Federação é complexa, para dizer pouco. No episódio anterior havíamos aprendido que sua sensibilidade a luz surgiu após a detonação de sua nave, ainda com a tripulação, para impedir que estes sofressem nas mãos dos klingons. Contudo, enquanto a série aprofunda sua posição, perguntas começam a surgir. 

Cornwell aparece para pressionar Lorca, que exibe seu lado manipulador e perigoso. Sua relação com Michael às vezes beiro o paternal, mas foi com a Almirante Cornwell que realmente vimos do que ele é capaz. Sim, já era possível ter uma ideia após vê-lo abandonando Mudd com os klingons, mas o limite que ele ultrapassa para se manter como capitão é a própria vida da mulher que ele se relacionou há poucas horas.

Lethe, a deusa grega do esquecimento, aparece para nos lembrar dos perigos da galáxia criada por Discovery. Ainda temos um bom caminho até a conclusão desta primeira temporada e cada peça nebulosa e escura começa a tomar forma no gigante tabuleiro criado pela franquia. Apesar de ser cedo para classificar Discovery como um sucesso, algo eu posso afirmar é que esta é a série da franquia em que menos consigo confiar nos personagens. Talvez a falta de confiança venha da falta de desenvolvimento destes como indivíduos, o que é bem possível, ou porque no fim do dia a guerra é uma gigante transformadora. A verdade é que só saberemos com o tempo e eu estou aberto para continuar ao lado da produção. 

Direto da ponte de controle, as conexões e easter eggs de Star Trek Discovery

– Lethe é o nome do rio do submundo e também da deusa do esquecimento. Na série original também existiu uma personagem chamada Lethe e uma raça de lethianos em DS9.

– Neste episódio também tivemos a primeira menção a classe de nave constituição, a mesma de Enterprise

– Também é por causa de Lethe que descobrimos porque, no futuro, Sarek estará tão desapontado com Spock. Ele basicamente sacrificou a vaga de Michael, a colocando na posição que ela está hoje, enquanto o filho renegava a sua vaga na academia vulcânica de ciência para entrar na Frota Estelar. 

Star Trek apresenta um forte episódio, mas continua matando (ou sumindo) com suas mulheres Já é a terceira vez que Star Trek sacrifica uma de suas personagens femininas em prol da movimentação da história e da progressão da narrativa dentro da Discovery. Contando por cima e sem considerar baixas do primeiro confronto com os Klingons, já perdemos 3 mulheres importantes e que poderiam ter ajudado a impulsionar a história da série. Esta observação, por enquanto apenas uma observação, serve para levantar a pergunta para a série: será que não existia outra abordagem? E que também ajuda a impulsionar tantas outras. De forma…

Star Trek Discovery

Lethe

Nota

Discovery continua a trabalhar seus temas com episódios de qualidade e roteiro bem construído.

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