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Especial | Heróis Gays das HQs – The Ray

Codinome: Ray (Raio)

Nome:          Raymond Terrill (DC Rebirth)

Nacionalidade: Nascido e “criado” no Estado da Pensilvânia, nos EUA.

Raça:            Desconhecida (acredita-se que seja humano)

Poderes:

– Ray pode absorver, armazenar e utilizar como quiser partículas de luz (tanto natural, quanto artificial). Assim, ele consegue emitir rajadas de luz.

– Ele possui o poder de voar, através da energia armazenada.

– Ray também pode ficar invisível ou tornar alguém invisível, uma vez que possui controle das partículas de luz.

– Ele também pode criar projeções e objetos feitos de energia.

 

Os Raios

Graças as notícias divulgadas na última semana, Ray, um personagem clássico das HQs e que tinha pouco destaque até agora, ganhou os holofotes (não poderia perder esta piada) dos fãs de super-heróis e muita gente quer conhecer mais deste novo personagem que terá algumas produções solo num futuro próximo.

Pra quem não conhece The Ray (ou O Raio, como ficou conhecido até o final da década de 80), é importante deixar claro que existem várias versões do personagem, o que pode causar muita confusão aos desavisados.

O Ray I (Langford “Happy” Terrill), primeira versão do personagem, foi criado no começo da década de 40, e sua primeira aparição foi na Smash Comics, uma revista da finada editora Quality Comics. Aqui no Brasil, suas histórias foram publicadas pela editora O Globo como “O Raio” e teve um relativo sucesso na época. “Happy” Terrill foi atingido por uma tempestade elétrica (um acidente “científico”, como a maioria dos heróis da Era de Prata dos Quadrinhos) e adquire a capacidade de absorver luz e atirar raios de energia. A sexualidade deste personagem era pouco abordada, mas sabíamos que ele não era gay devido ao conservadorismo da época e das produções para o público infanto-juvenil.

A Quality Comics foi comprada pela poderosa DC Comics e assim, Ray integrou o time de heróis da casa do Batman e Cia. Ray se tornou um personagem coadjuvante e com aparições irregulares, sendo deixado de lado após Crise nas Infinitas Terras, sendo retirado da geladeira apenas anos depois.

Em 1992, a DC apresentou o Ray II (Raymond C. Terrill), filho de Langford “Happy” Terrill. Raymond foi criado desde muito pequeno em uma casa sem janelas e sem contato com o mundo externo, pois seu pai dizia que ele era possuía uma rara doença que o tornava sensível a luz, e os raios do Sol poderiam mata-lo. Quando seu suposto pai faleceu, ele teve seu primeiro contato com a luz do Sol, e assim descobriu seus poderes.

Terrill também descobre que na verdade é filho do primeiro Ray, e que o homem que o criou era na verdade seu tio. Raymond conhece seu verdadeiro pai, descobre a verdade por trás de seu abandono e começa a treinar seus poderes com o primeiro Ray e o Caçador de Marte. Este segundo Ray foi o que apareceu em mais histórias até agora, participando das equipes Combatentes da Liberdade, Liga da Justiça, Liga da Justiça Task Force e Justiça Jovem.

Após Crise Infinita, Raymond sumiu e um outro personagem assumiu o manto de Ray III. Era Stanley Silver (2006), um repórter que foi exposto a radiação de alta altitude, enquanto cobria a aproximação de um cometa à Terra. Silver ganhou poderes semelhantes aos outros Ray’s e assim se torna membro da equipe Combatentes da Liberdade. Stanley, no entanto, era um espião que trabalhava para a organização S.H.A.D.E. (S.O.M.B.R.A.), traindo os heróis e matando um dos membros da equipe. Ele é derrotado por Raymond Terrill que retorna e retoma seu posto como Ray.

Nos Novos 52, a DC Comics inseriu um novo personagem, com uma nova história e um novo uniforme, como Ray IV, Lucien Gattes. Gattes era um salva-vidas que ganha os poderes de absorver luz e disparar rajadas de energia. Mas como quase tudo nos Novos 52, o personagem não agradou e sua história foi rapidamente cancelada.

Uniforme do Ray (Novos 52); Ray LEGO; Ray Uniforme Mais Famoso;

Estas quatro versões do personagem eram heterossexuais, ou subentendia-se que eram, afinal ou possuíam alguma personagem feminina como interesse amoroso ou não tiveram suas relações afetivas exploradas.

Renascimento

Após o fracasso dos Novos 52, Ray ganhou uma nova versão para DC Rebirth (DC Renascimento), pelas mãos de Steve Orlando (que já comentamos por aqui algumas vezes, responsável pelos títulos de Meia-Noite, Apolo & Meia-Noite e colaborou em Love Is Love), e logo na sua edição de estreia, já ficamos sabendo que este novo Ray é gay.

Sua origem é muito semelhante a história do Ray II (inclusive a identidade e o uniforme são os mesmos), com algumas pequenas mudanças. Raymond foi criado por sua mãe em uma casa sem janelas, sem luz nenhuma e com o mínimo contato com o mundo exterior.

Um dos poucos contatos que Raymond teve foi com um amigo de infância, Caden Zapote, porém, devido a um acidente, Caden e Raymond nunca mais se viram. Mesmo durante a infância e adolescência, Raymond já sentia que era “diferente”, e sua vontade de sair e conhecer “um cara” fazem com que ele um dia desobedeça sua mãe e saia de casa.

A história de Ray é uma maravilhosa metáfora da vida dos LGBTs, que vivem (viveram) durante muitos anos na escuridão, com medo do mundo exterior, mas que certo momento percebem que a dor de não viver se torna maior do que o receio de que algo ruim aconteça, e enfim se libertam.

Freedom!

Curiosamente, esta mudança da orientação sexual do personagem não causou comoção ou revolta nos fãs “nerds” dos heróis de histórias em quadrinhos, que sempre reclamam que não devem “mudar a sexualidade” dos personagens. Pois a grande maioria não lê HQ e a esmagadora maioria provavelmente nem conhece Ray ou os Combatentes da Liberdade.

Raymond sai de casa e um novo incidente acontece, fazendo com que ele perceba que possui superpoderes, que podem causar queimaduras e até cegar uma pessoa comum. Ray vaga invisível pela cidade de Vanity e aprende pouco a pouco controlar seus poderes, ao mesmo tempo que observa o ódio e a falta de empatia dos moradores daquele lugar.

Raymond descobre que seu amor de infância, Caden, é agora candidato a prefeito da cidade e gay assumido. Esta descoberta é fundamental para que Raymond perceba sua responsabilidade dentro da sociedade em que vive e assim decide se tornar o herói The Ray.

Liga da Justiça da América

O Homem-Morcego decide montar uma equipe, diferente da Liga da Justiça que é formada por deuses que inspiram a humanidade, mas com seres mortais, humanos, para que a população perceba que cada pessoa é capaz de um ato heroico. Para isso ele convoca vários integrantes, incluindo Vixen, Nevasca (redimida), Átomo (o estudante chinês, Ryan Choi), Lobo (o Czarniano), Canário Negro e Ray para formar a nova Liga da Justiça da América.

Batman escolhe Ray por este ser jovem e não ignorar as injustiças e problemas que acontecem ao seu redor. Com o decorrer da história, percebemos também que Ray discorda de alguns métodos do morcego, por acreditar nas pessoas e esperar o melhor delas, e isso pode ter sido um outro motivo para ter sido escolhido para a LJA, pois o Batman diz para Vixen que busca formar um time sólido, mas humano.

O Ray de DC Rebirth aparece com um ficante no cinema logo na primeira edição, mas que decidem dar um tempo na relação. Raymond, até as últimas edições publicadas, ainda mantem contato com Caden (agora prefeito de Vanity) e além de uma maior aproximação de Xenos, um personagem que “mora” com a LJA. Mas algo ainda problemático na representatividade LGBT das HQs é não mostrar um relacionamento definido para estes personagens – com algumas exceções, como Hulkling e Wiccano, e Estrela Polar e Kyle Jinadu – vide Lanterna Verde e Batwoman. Esperamos que isso mude com Ray.

O Ray de DC Rebirth mantém o mesmo uniforme do Ray II, com um capacete amarelo/dourado, um jaqueta preta com detalhes amarelo/dourado e um traje que cobre praticamente todo o seu corpo, que impede o excesso de absorção de luz. Nas primeiras edições, ele evita a luz praticamente a todo momento, e usa o capacete quase que todo o tempo, para que não exploda e cause um acidente, mas nas últimas edições ele já aparece sem o capacete e com contato irrestrito com a luz.

Raymond viveu muito tempo isolado e assistindo filmes com aqueles heróis clássicos, por isso demonstra uma personalidade mais ingênua e até insegura, tentando dialogar mesmo com seus adversários, e hesitando alguns momentos que podem causar sofrimento ou dor para o outro.

Outras mídias

Como já noticiamos AQUI no blog, Ray vai ganhar uma animação solo, pela DC/Warner, Freedom Fighters: The Ray. A animação será lançada pelo serviço digital CW Seed, que já lançou a websérie de Vixen. Ainda não há mais informações sobre este projeto, nem se o personagem será gay e nem qual versão de Ray será baseada a história, a única informação confirmada é de que o protagonista será dublado pelo ator Russell Tovey.

Tovey (Looking e The Pass) também interpretará Ray no crossover das séries The Flash, Arrow e Legends Of Tomorrow, que ganhou o nome de Crise na Terra X (Crisis on Earth-X). Há planos para que Tovey aparece em outros episódios das séries da DC/Warner no mesmo papel.

Caso o Ray da animação e do live-action seja inspirado no Ray de DC Rebirth, será o primeiro herói LGBT a protagonizar uma animação e aparecer numa série de TV, inspirado nas histórias em quadrinhos. Vamos torcer!

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana. Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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  • Renné Francisco

    Torcendo pra que seja exatamente o da série Rebirth. rsrs

    • Eduardo

      Ao que parece, será o da Terra 10 de Multiversidade (antiga Terra X pré-Crise nas Infinitas Terras), mas com o visual do Ray da Terra-0. Acho pouco provável que o personagem seja gay assumido, deve ficar uma coisa meio velada, subentendida em algum episódio envolvendo perseguição a minorias.