Página Inicial / Indicação Nerd / Indicação Nerd|Série – The Good Place

Indicação Nerd|Série – The Good Place

Eleanor Shellstrop (Kristen Bell) sabe de três coisas:

1) Ela está morta;

2) Ela foi parar no paraíso, chamado de “The Good Place” (O lugar bom);

3) Ela não pertence àquele lugar;

É assim que conhecemos nossa nem tão adorável protagonista que acaba de chegar ao lugar das pessoas “de bem”. Quando estava viva, Eleanor (nossa eterna Veronica Mars) estava longe de ser uma cidadã modelo. Ela fez um pouco de tudo, desde tratar as pessoas mais próximas de forma péssima, até vender placebos para velhinhos que estavam doentes (e acreditem, ela era muito boa nisso).

À primeira vista, The Good Place parece uma comédia boba, sem nada de interessante para acrescentar, porém, com o decorrer dos episódios podemos encontrar reflexões muito interessantes sobre o convívio humano e as crenças maniqueístas que nos são ensinadas desde muito cedo.

Você já se parou para se perguntar se você é uma pessoa boa ou ruim?

Obviamente que não, porque todos nós acreditamos sermos boas pessoas. Ou tentamos sempre nos convencermos disso. A vida cotidiana, principalmente, nos faz agir e acreditar que tudo tem uma “justificativa”, logo, qualquer comportamento ou atitude é justificável.

Seja ouvir as músicas de Red Hot Chilli Peppers, jogar lixo no chão ou agir de forma “bondosa” atrás de likes ou views, podem ser consideradas atitudes que te mandariam para o inferno (The Bad Place), segundo a série.

Todos que morrem e vão para O Bom Lugar, “ganham” uma casa decorada do jeito que sempre sonharam e poderão viver a eternidade ao lado de sua “alma gêmea”. Eleanor recebe uma casa pequenina, com quadros de palhaços (#medo) e conhece Chidi, professor de Filosofia Moral, que é sua alma gêmea.

Difícil não se identificar com Eleanor. A garota parece ser alguém ruim, egoísta e insensível, e ela realmente é tudo isso. Mas, já imaginou estar em um lugar rodeado de pessoas altruístas, bondosas, honestas e sensíveis? Deve ser uma chatice tremenda.

Outra personagem maravilhosa é Tahani Al-Jamil (a britânica Jameela Jamil), a garota perfeita, sempre com a melhor das intenções, bem vestida, alta, magra e um sotaque irritante. Tahani é o oposto de Eleanor, sendo um modelo de pessoa, mas com uma atmosfera de prepotência e buscando sempre os holofotes das situações.

A série possui mais duas gratas surpresas, que são Chidi (William Jackson Harper) e Jianyu (Manny Jacinto). Já falamos algumas vezes por aqui, como é difícil encontrar personagens relevantes interpretados por atores asiáticos e negros, não é mesmo? E ver, Chidi, o interesse amoroso de nossa protagonista, interpretado por um homem negro é algo muito importante quando falamos de visibilidade e representatividade.

Michael (Ted Danson) e Janet (D’Arcy Carden) completam o time do elenco principal. Janet é tipo o Google na forma de uma pessoa e sua compreensão literal de alguns comentários proporciona momentos hilários.

Michael é o arquiteto do Bom Lugar, seu primeiro projeto solo, mas ao mesmo tempo parece conhecer pouco dos seres-humanos e suas motivações. Sua forma insegura de lidar com as situações deixa um pouco a desejar, mas fica compreensível no final da primeira temporada.

Ao longo dos episódios da primeira temporada, Eleanor se debate com o fato de ser a peça que não se encaixa no paraíso, cheio de pessoas que tiveram vidas incríveis, combatendo doenças, salvando crianças em zonas de guerra, lutando pelos direitos das mulheres e LGBTs, enquanto que a loira relembra (através de flashbacks) o quanto ela era uma pessoa ruim.

A série é recheada de situações absurdas, com camarões voando ao som de Ariana Grande, e muito humor. Mas The Good Place traz algo mais além em suas entrelinhas. As consequências de nossos atos e nossa responsabilidade sobre aquilo que nós somos. Será que estamos fazendo algo de útil para a humanidade? Será que deixaremos saudades quando partirmos desta para melhor (ou pior)?

The Good Place também mostra principalmente na relação entre Chidi e Eleanor, que ser uma pessoa boa (ou uma pessoa agradável e justa) é como malhar na academia: precisa de disciplina, rotina e cansa. Claro que ser bom não é algo que poderemos ostentar no Twitter ou no Instagram, para ganhar biscoitos, mas transforma o mundo num lugar mais acolhedor (diferente de um tanquinho sarado).

Além disso, The Good Place traz uma reflexão (comum nas aulas de Filosofia) sobre “ser bom” e “ser ético”. Será que aprendemos a ser bons ou o mundo nos ensina a ser? Se a bondade é algo cobrado pelo meio, e que podemos aprender, seria então algo genuíno? Várias religiões e doutrinas possuem seus códigos de ética e manual do que é ser bom, então qual será que está correto? Coisas pra se pensar assistindo a série.

Um ponto negativo da série é perceber que há somente casais heterossexuais no Bom Lugar, e apenas pessoas cis. Isso me incomodou bastante durante a primeira temporada (apesar de mostrar um casal de lésbicas e sugerir um casal gay, porém ambos não foram abordados), mas fiquei um pouco mais tranquilo quanto a isso no final da temporada.

A série está disponível na Netflix e já está em sua segunda temporada. Vale a pena dar uma olhada.

Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

Veja Também

Especial|Explorando as possíveis tramas da série ambientada no universo de Senhor dos Anéis, da Amazon Prime

Série baseada no livro O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien está sendo desenvolvida pela Amazon …

  • Quase dei um berro quanto a sua constatação de que não existiam casais gays no Lugar Bom, porque né? KKKKKKKKKK

    • Michel Furquim

      😈🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥