Página Inicial / Música / O Rock não está morto – Marilyn Manson (Heaven Up Side Down)

O Rock não está morto – Marilyn Manson (Heaven Up Side Down)

Marilyn Manson é o nome artístico e da banda de Brian Hugh Warner, ele atua nos vocais gritados e roucos carregados de letras que fizeram criticas a sociedade conservadora norte americana, mas além disso ele conquistou o mundo com sua imagem e atitudes que faziam críticas a religião e ao modelo de vida almejado por diversas pessoas.

Seu nome é uma combinação de Marilyn Monroe e Charles Manson para caracterizar uma dualidade a cultura estadunidense, a atriz popular e o líder de um culto obscuro. Ele tem uma discografia extensa com diversos sucessos que começou em 1994 com o disco Portrait of an American Family que tem músicas como Lunchbox que fala sobre sofrer bullying e Get Your Gunn que é a clara crítica a sociedade norte americana. Em Smells Like Children de 1995 ele lança a reinterpretação de Sweet Dreams (Are Made Of This) e em 1996 temos o álbum Antichrist Superstar com músicas como The Beautiful People, Cryptorchid e Antichrist Superstar . Em 1998 o álbum Mechanical Animals emplaca músicas como The Dope Show, Rock Is Dead e Coma White, em Holy Wood (In the Shadow of the Valley of Death) (2000) Marilyn Manson lançou The Fight Song e Disposable Teens. Em 2003 ele lançou o álbum The Golden Age of Grotesque com This The New Shit e  mObscene. Em 2007 ele lançou o álbum Eat Me, Drink Me, em 2009 The High End of Low, Born Villain em 2012, The Pale Emperor em 2015 e mais recentemente retornou com Heaven Upside Down.

Receber a notícia que um novo álbum deste artista seria lançado com certeza ascendeu nos fãs de Rock a esperança recuperar a “essência” desse estilo musical que marcou a adolescência de muita gente. Essa esperança se torna ainda maior ao se ter conhecimento que o Marilyn Manson está sempre modificando e experimentando esse gênero e embora ele tenha dado algumas escorregadas no passado ainda assim é possível dar um voto de esperança.

Pouco tempo depois do lançamento eu procurei um amigo que é muito fã do artista e pedi a sua opinião sobre esse albúm:

“Quem acompanha o trabalho do Marilyn Manson, sabe o quanto suas músicas são controversas e agem como um tapa na cara da sociedade. E no seu novo cd Heaven Upside Down, não seria diferente.

Com uma pegada mais pesada do que o álbum anterior The Pale Emperor, o Heaven Upside Down nos traz o Marilyn Manson das antigas, mais nervoso, sem papas na língua, com letras pesadas e indiretas a sociedade em que vivemos.

O single We Know Where Fucking Live mostra para que ele veio, com um clipe com freiras seminuas e armas de fogo, ele esfrega a religião na cara das pessoas, literalmente.

O novo single SAY10, lançado na última sexta feira 13, conta com um clipe perturbador para os mais reservados, com mulheres nuas, crucifixos e Johnny Depp, o refrão que fica na mente “You say God, I Say SAY10”, gruda como um chiclete, e embora fale sobre o famoso “SATÔ, ele aborda o demônio que existe em cada um de nós.

Vale falar também da faixa “KILL4ME”, a balada do cd, com uma pegada das faixas do cd EAT ME, DRINK ME, considerado por muitos fãs o álbum mais romântico do Anticristo Superstar.

Recentemente em um show o cantor, resolveu subir em um dos postes do cenário e o mesmo veio a baixo, caindo em cima dele, que foi hospitalizado e teve que cancelar alguns shows. Então já da pra ver que aqueles shows com um Marilyn Manson agitado, desinibido, crítico, cheio de roupas e cenários estão nessa turnê.”

Antes de entrar em contato com o Mario eu já tinha escutado o álbum e anotado algumas das minhas impressões, mas a sua opinião me ajudou a ter uma outra perspectiva quando decidi escutar o trabalho novamente.

Revelation #12: A música já começa com uma pegada punk e vai se misturando com batidas que lembram o estilo Industrial, nessa faixa o Marilyn Manson canta de forma bem gritada lembrando bastante os seus álbuns mais antigos.

Tattooed In Reverse: O Marilyn Manson já começa a faixa derrubando as portas com a sua voz em tom de revolta e a guitarra também passa a sensação de raiva, alguns trechos tem potencial para trilha sonora de filme se colocados no momento certo, inclusive isso é algo que ele faz muito bem, prova disso é o fato de algumas das suas músicas fazerem parte de muitas trilhas sonoras dos mais diversos tipos de filme.

WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE: O clipe dessa música começa  polêmico com  freiras caminhando e em seguida sendo revelado que elas estão de salto alto que parecem feitos de látex lembrando muito os acessórios normalmente ligados a prática de BDSM, vê-las rasgando as roupas ressuscita a esperança de assistir um Marilyn Manson voltando às suas origens e criando obras que chocam a parte mais conservadora da sociedade. Por muito tempo ele foi conhecido por reproduzir em seus clipes diversas críticas e desde o lançamento da prévia de SAY10 já era possível criar expectativa de que isso aconteceria novamente. E pensando em momentos atuais o uso de armas no clipe de início incomoda, mas a mensagem que se reflete na letra e na obra é uma crítica aos EUA manterem o porte de armas como sendo algo garantido por lei.

SAY10: A música começa com a voz sussurrada e carrega daquela atmosfera de terror, mas logo adentra na batida mais punk e com a letra forte, o que ele sabe fazer muito bem é balancear os momentos tranquilos com a intensidade e revolta necessárias. A música é tão boa quanto parecia no teaser, mas algo que me incomodou foi o fato dele ter convidado o Johnny Depp, o ator foi acusado de agressão pela atriz Amber Heard que retirou a acusação, mas existem filmagens dele sendo bastante agressivo, de qualquer maneira o fato dele participar do clipe ainda estar envolvido em outras produções incomoda e deixa uma pulga atrás da orelha.

KILL4ME: Essa é a música que tem uma sonoridade mais parecida com o álbum The Pale Emperor, mas com alguns elementos sonoros novos e obviamente a letra diferentes.

Saturnalia: Essa faixa tem uma pegada Industrial bastante interessante no seu início, mas vai se modificando ao longo dos seus quase oito minutos e o que antes parecia entediante acaba ficando interessante, principalmente se você acompanhar a tradução.

JE$U$ CRI$I$: Assim como Saturnalia essa é uma daquelas faixas que precisa ser escutada mais de uma vez para conseguir perceber todas as suas nuances tanto na letra como na melodia.

Blood Honey: Essa faixa também tem uma sonoridade que lembra o álbum The Pale Emperor e em alguns momentos Heart-Shaped Glasses, mas com uma roupagem mais moderna.

Heaven Upside Down: Essa é faixa mais depressiva que está presente em muitos dos álbuns do Marilyn Manson, mas em compensação existe um solo muito gostoso de se ouvir.

Threats Of Romance: Mais uma das faixas com um pegada de The Pale Emperor e no sentido mais positivo de todos pois junta uma batida às vezes melódica, mas com momentos mais agitados e que encerram o álbum deixando aquele gostinho de quero mais.

The Heaven Up Side Down traz de volta um Marilyn Manson disposto a chocar a sociedade não apenas com os seus clipes, mas também com suas letras, as últimas músicas parecem bastante intimistas e podem não agradar aqueles que as escutarem apenas uma vez, mas de qualquer forma o disco como um todo é positivo e reacende a esperança de que o bom e velho Rock não esteja morto.

Sobre Angresson da Silva

Nascido em 88, ariano, meio diferentão devido ao ascendente em aquário e que adora conhecer novos animes, mangás, HQ’s, jogos, filmes e séries, sempre se preocupando com a representatividade em todas essas mídias. Ainda não formado, mas gosta de escrever suas opiniões e se auto intitula um Nerd Fajuto por não se identificar com os padrões de muitos Nerds.

Veja Também

Descobertas Musicais – Março de 2017

Confira nossas descobertas musicais de março.