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01 de Dezembro – Dia Mundial de Combate ao HIV

O dia 1º de Dezembro é dia mundial de combate ao HIV e AIDS (VIH, Vírus da Imunodeficiência Humana e SIDA, Síndrome de Imunodeficiência Adquirida). Esse assunto já foi abordado aqui no site em um texto do Michel onde ele fala sobre o estigma de pessoas que vivem com o vírus e sobre alguns fatores que influenciaram a comunidade LGBT. Nesse texto abordaremos o mesmo assunto mas com uma perspectiva um pouco diferente e antes é necessário passar algumas informações e dados de grande importância.

Primeiramente é preciso dizer que já foram obtidas diversas conquistas como a descoberta de medicamentos para combater o vírus e que o Coquetel (mistura de diversos ativos), que antigamente era composto de muitos comprimidos, foi reduzido para apenas um que precisa ser tomado diariamente. Além disso foi comprovado cientificamente que pessoas em tratamento e que mantém uma carga viral indetectável não transmitem o vírus, mas atenção, o fato de não transmitir o vírus não quer dizer que as pessoas podem abandonar o uso da camisinha, existem outras doenças sexualmente transmissíveis que podem ser evitadas com o uso do preservativo.

O site da UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) é responsável por colher uma série dados sobre o vírus ao redor do mundo e entre eles alguns dos mais positivos são que 53% da população mundial que convive com o vírus tem acesso ao tratamento e que as mortes relacionadas à AIDS caíram 50% desde 2005. Mas existem alguns dados importantes e preocupantes nas pesquisas dessa organização, uma delas é a de que existe uma epidemia entre os jovens entre 15 e 24 anos.

“Das 4.500 novas infecções por HIV em adultos em 2016, 35% ocorreram entre jovens de 15 a 24 anos.”

O último relatório da UNAIDS sobre o vírus no Brasil mostra dados preocupantes, nosso país é o maior da América Latina e também o que tem maior índice infecção na região (49%). O Brasil é referência no modelo de tratamento tendo todas as etapas necessárias sendo cobertas pelo sistema público de saúde, isso vai desde testagem, acompanhamento psicológico, acompanhamento com infectologista, medicamentos e exames necessários para avaliação da carga viral e aspectos principais que precisam ser observados, tudo isso de forma gratuita.

Ter essas informações em mente pode fazer tudo parecer muito geral e dispersar a atenção para outro fato muito importante: o dia a dia do indivíduo que convive com o vírus e que está em tratamento. Tendo isso em mente decidi procurar um amigo que à algum tempo me confidenciou ser portador do vírus HIV e nessa conversa ele contou um pouco sobre a sua rotina, o tratamento e a sua relação com as pessoas com quem convive.

Obviamente ele não será identificado, a sua família, maioria dos amigos e colegas de trabalho não sabem que ele é portador do vírus e isso se deve ao fato dele se preocupar com os estigmas e preconceitos da sociedade. Ele reside no sul do país e tem acesso ao tratamento na rede pública, mas tomou conhecimento da sua condição quando morava em outra cidade através da rede privada, onde o único procedimento adotado foi o de solicitar a repetição do exame para eliminar a possibilidade de um falso positivo, além disso não houve nenhum apoio psicológico, ele mesmo interpretou o exame em casa e teve de lidar com a informação sozinho e passou a se informar pela internet, vale ressaltar também que isso aconteceu à cerca de dez anos.

Após se mudar, tendo conhecimento de que era recomendado iniciar o tratamento a partir do diagnóstico ele se dirigiu a rede pública onde foram realizados todos os procedimentos e exames necessários para que ele iniciasse as consultas com a infectologista e começasse a tomar os medicamentos. Por ter se informado muito pela internet ele temia os efeitos colaterais e o quanto isso afetaria a sua rotina e o convívio social, por sorte ele não teve muito desses efeitos e os que aconteceram não foram o suficientes para impedir que ele levasse uma vida normal.

Depois de superar esses medos ele se deparou com alguns detalhes que não eram exatamente efeitos colaterais, mas com a rotina que envolve a medicação, como necessidade de tomá-la todos os dias e sempre no horário correto, o fato de poucas pessoas saberem da sua situação complicou ainda mais e resultou numa limitação de encontros com amigos a noite, quando isso acontecia ele se sentia como a Cinderela fugindo antes que o relógio apontasse para a meia noite. O seu comportamento com relação ao sexo também mudou, ele tende a preferir encontros que ocorram antes do horário em que ele precisa tomar sua medicação e quando não resiste leva consigo pelo menos um comprimido para o caso de não retornar no horário.

Mas mesmo com essas alterações na sua rotina a maioria dos dias é igual ao das outras pessoas, ele trabalha, sai com os amigos, bebe, transa e vive com saúde. Porém quando a conversa parte para a questão do relacionamento sério ele confessa que essa é uma questão complexa pelo fato do preconceito que paira sobre as pessoas nessa condição, grande parte da população não tem conhecimento de que uma pessoa com a carga indetectável não transmite o vírus, ele inclusive diz que já viu reações em que o indivíduo se recusaria até mesmo beijar alguém se soubesse que a pessoa tem HIV.

É sempre importante ressaltar que não podemos generalizar, cada pessoa reage de formas diferentes ao tratamento, esse é o relato de apenas uma pessoa então procure sempre se informar nas mais diversas fontes. O fato de conseguir levar uma vida com a rotina da maioria das outras pessoas é um dos principais agravantes para que as pessoas deixem de utilizar a camisinha e tem aumentado os casos de infecção, porém existe outro fator preocupante.

Ao frequentar grupos criados para o público gay e entrar no assunto prevenção dentro do relacionamento é possível identificar que muitos deles dizem não utilizar camisinha por que confiam no seu parceiro e isso é algo muito problemático, principalmente tendo em vista a informação anterior de que os casos de infecção pelo vírus entre os jovens tem se tornado cada vez maiores.

Deixar de usar preservativo não deveria ser símbolo de confiança e sim o contrário. Existem outros fatores além da traição que podem ocasionar na infecção, um exemplo é o fato da pessoa não saber que possui o vírus (provavelmente por ter o mesmo pensamento de que não usar camisinha é símbolo de confiança) e por isso não realiza a testagem e se estiver infectada ela tem chances de transmitir o vírus nos relacionamentos futuros. Ter conhecimento sobre a sua sorologia proporciona a possibilidade de iniciar o tratamento, ter uma qualidade de vida melhor e mais segura, além da possibilidade se ter a carga viral indetectável e não transmitir o vírus, vale ressaltar que estar indectavel também não exclui a necessidade de utilizar o preservativo, existe uma série de doenças que são transmitidas através do sexo como a sífilis que também está se tornando uma epidemia. Por esses e muitos outros motivos que o uso da camisinha é de extrema importância, o mercado vem diversificando as suas opções na tentativa de se adequar a todo tipo de público e se você não tiver dinheiro existe a possibilidade encontrá-los no sistema público de saúde, porém com apenas um modelo.

Ser portador do vírus HIV já não significa mais receber uma sentença de morte, mas é importante lembrar que de qualquer maneira é necessário tomar medicação até o fim da sua vida e todos o medicamentos tem efeitos colaterais e que cada pessoa os sente de uma maneira diferente, além disso alguns hábitos da sua rotina podem ser alterados devido a essa nova condição. Transar é algo muito bom, mas fazer isso consciente de que não está correndo nenhum risco é ainda mais gostoso. E além de se prevenir também é importante repensar como são seus relacionamentos e quais são os critérios adotados para se confiar no outro.

Links:

UNAIDS

Estatísticas da UNAIDS

Estatísticas da UNAIDS para o Brasil

Sobre Angresson da Silva

Nascido em 88, ariano, meio diferentão devido ao ascendente em aquário e que adora conhecer novos animes, mangás, HQ’s, jogos, filmes e séries, sempre se preocupando com a representatividade em todas essas mídias. Ainda não formado, mas gosta de escrever suas opiniões e se auto intitula um Nerd Fajuto por não se identificar com os padrões de muitos Nerds.

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