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Crítica|Filme – Liga da Justiça

O universo expandido da DC ganhou mais um capítulo, trazendo a maior equipe de super-heróis dos quadrinhos para as telonas. Um sonho realizado para muitos de nós.

Para conquistar uma fatia do mercado bilionário de adaptações cinematográficas de personagens dos quadrinhos, a DC investiu inicialmente numa atmosfera densa e dramática, como vimos em Homem de Aço e Batman Vs Superman. Mas falhou vergonhosamente quando tentou algo, vamos dizer, menos pretensioso, com Esquadrão Suicída.

Por esta instabilidade nos resultados, o filme Liga da Justiça chega com um papel fundamental como norteador das próximas produções da Warner/DC.

Diferente da sua concorrente, Marvel, a DC Comics possui uma curiosa necessidade de provar a qualidade de suas adaptações junto a “crítica especializada” e ao público. A história precisa ser boa, a trama deve ser aprofundada (mas não tanto a ponto de espantar aqueles que querem um filme mais “colorido”), os vilões não devem ser megalomaníacos, os heróis devem ser fiéis a suas fontes de inspiração, etc.E, felizmente, Liga da Justiça conseguiu trazer grande parte disso.

LJ funciona como um filme de origem, apesar de ser o quarto filme dessa empreitada, retomando as motivações de cada personagem na sua luta para salvar o mundo. Mas aqui tudo é bem rápido e simples. Nada de dramas. Tudo é exposto ao espectador com a consciência de que todo mundo já viu MoS, BvS e WW. Isso garante espaço para conhecer (e nos afeiçoaos novos personagens, Aquaman, Ciborgue e Flash.

Aqui foi feito um movimento contrário ao da Marvel. Os heróis são colocados num filme de equipe sem filmes solo dos personagens anteriores. Isso é algo que dificulta a justificativa para o ingresso de alguns na formação do time super poderoso, mas nada que prejudique o desenrolar da trama.

Diferente de BvS o filme não se preocupa em mostrar uma situação apocalíptica ou destruições em grande escala das cidades, algo corriqueiro em filmes de heróis, como Vingadores, X-Men: Apocalypse, e o próprio MoS. Isso ajuda no ritmo dos acontecimentos, mas também torna o vilão e a invasão algo pouco ameaçador.

Gal Gadot continua sua ótima estadia no papel da princesa das Amazonas, sendo responsável pelas melhores cenas de luta e roubando a cena sempre que aparece. Depois de BvS e Mulher-Maravilha, a atriz está muito mais confortável no papel e prova mais uma vez ter sido uma ótima escolha para liderar o universo DC.

Mas algo que deixou a deseja foram as outras amazonas. A rainha Hipólita e o exército das amazonas tiveram dificuldade de enfrentar os nazistas em Mulher-Maravilha e levaram uma bela de uma surra de Steppenwolf e os pandemônios. Agora entendo porque elas ficaram escondidas em Themyscira. Bem mais seguro, né? Pra elas.

Batman talvez seja o que teve a maior mudança aqui. Se em BvS tínhamos um morcego violento, cansado e sombrio, aqui vemos um herói mais maleável, brincalhão (acreditem, até ele faz piadas) e se mostra um personagem quase inútil num time de super-seres. Ben Affleck já comentou (algumas vezes) que pretende abandonar o cargo de Homem-Morcego, e isso fica (ao menos pra mim) bem nítido em sua atuação. Com a introdução de novos rostos para o universo cinematográfico da DC, acho que Batman pode muito bem ficar num hiato e dar espaço para novos heróis, como Shazam, Flash e outros.

Os “coadjuvantes” acabam sendo mais carismáticos que os heróis que já havíamos vistos. Flash é com certeza o que mais se destaca. Com uma veia cômica e juvenil, Barry Allen equilibra o time com uma excelente atuação de Ezra Miller. Somente algumas expressões do ator já são o suficiente para arrancar gargalhadas do público. Uma parte dos “fãs”, LGBTfóbicos, reclamaram da escolha do ator para o papel, pois Ezra já se denominou Queer, gay, bissexual, e sempre deixou claro que é a favor do respeito à diversidade sexual. E tê-lo como o personagem mais marcantes do filme é algo ótimo para esses espectadores. E que venham mais filmes com Flash Ezra.

Aquaman também tem uma boa participação no filme. Momoa nunca foi um bom ator, assumindo sempre papéis de trogloditas com poucas falas. Em LJ ele consegue fazer muito mais, porém sem nada de extraordinário. Acredito que a história poderia ter abordado melhor Atlântida e Mera, pontos perdidos dentro de todos os acontecimentos. E a cena entre Mera e Aquaman,fica a dúvida: eles não conseguem conversar através da água?

Ciborgue tem um bom desenvolvimento, talvez o mais aprofundado neste filme. Sua relação com o acontecimento que o transformou em um ser meio homem, meio máquina, faz com que sua relação com Diana (meio humana, meio deusa) e com Flash (também fruto de um acidente) seja algo agradável de ver nas telonas.

Apesar de tentarem manter em segredo, o retorno do Superman é a via principal do filme. Cavill é um Kal-El mais “engraçadinho” e menos sofrência, algo que irritou bastante nos filmes anteriores. Um herói sem crise existencial e pronto para enfrentar uma ameaça é algo que o Superman estava precisando. Seu retorno é com certeza o ponto alto do filme, com uma batalha – SENSACIONAL – contra a princesa das amazonas, uma competição – DIVERTIDÍSSIMA – de velocidade com Flash e – A MELHOR FRASE DO FILME – com um “Do you bleed?” com Batman. Não tem bigodão, nem uniforme negro, mas tem o peito cabeludo que a gente ama.

O filme utiliza de muitas referências, que conquistam os fãs. O uso do tema clássico do Batman, de 1989 é algo maravilhoso, assim como a saudades de Alfred de quando os maiores problemas do morcego eram pinguins de borracha com foguetes nas costas. A velha piada sobre Aquaman falar com os peixes também é utilizada aqui, mais de uma vez. E a escolha de um anel verde mágico quando seu detentor morre também é algo excitante.

As piadas, como já esperado, estão presentes, deixando a trama mais leve e sem pretensão de criar um filme sério e reflexivo. Tudo é apresentado e solucionado de forma superficial. Isso é bom por um lado, fazendo com que muitos fãs – acostumados com o padrão Marvel – saiam sorridentes da sessão, mas torna tudo simples de mais. Toda a trama é solucionada de forma tão simples que fica a dúvida se era necessário a Liga da Justiça para derrotar o vilão. Fora que a cena final deixa a pergunta “já acabou?” na cara de todos.

A DC/Warner aprendeu com os erros do passado e conseguiu guardar informações importantes do filme e uma parte da trama principal, fazendo com que o público se surpreenda no cinema. Isso é importante, afinal o trailer deve ser uma amostra grátis, e não um resumo do filme.

As cenas pós-créditos – o filme possui duas – são maravilhosas. Destaque para a segunda que pode dar uma dica sobre o futuro de uma próxima produção da DC Comics.

Liga da Justiça é um filme divertido, que traz os maiores heróis da DC juntos nas telonas, colocando mais um tijolinho na estrada do universo estendido. Porém, a tentativa de tornar os filmes cada vez mais coloridos e divertidos, para atrair o público casual e que busca algo superficial, transforma o filme em mais um filme de heróis que não estará no top 10 de ninguém..

O universo expandido da DC ganhou mais um capítulo, trazendo a maior equipe de super-heróis dos quadrinhos para as telonas. Um sonho realizado para muitos de nós. Para conquistar uma fatia do mercado bilionário de adaptações cinematográficas de personagens dos quadrinhos, a DC investiu inicialmente numa atmosfera densa e dramática, como vimos em Homem de Aço e Batman Vs Superman. Mas falhou vergonhosamente quando tentou algo, vamos dizer, menos pretensioso, com Esquadrão Suicída. Por esta instabilidade nos resultados, o filme Liga da Justiça chega com um papel fundamental como norteador das próximas produções da Warner/DC. Diferente da sua concorrente, Marvel,…

Crítica

Filme - Liga da Justiça

Nota

Um filme divertido com um trama leve e simples. A introdução de fatores que serão importantes para os filmes futuros da DC. Porém, a superficialidade torna-o em só mais um filme de super-heróis.

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Sobre Michel Furquim

Psicólogo, pós-graduando em Sexualidade Humana.
Curioso e pesquisador nas áreas de sexualidade e relacionamentos. Aficionado pelo universo nerd, em especial HQs e Mangás.

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