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Crítica| Star Trek Discovery 1.07 – Magic To Make The Sanest Man Go Mad

Discovery apresenta um episódio ao melhor estilo Feitiço no Tempo e o resultado é ótimo

Viagens no tempo, repetições temporais e todos os problemas que giram ao redor deste conceito, não é nenhuma novidade para o fã de Star Trek. Já vimos algo similar ao que TNG fez em “Causa e Efeito”, logo o que Discovery criou em seu sétimo episódio não surge como uma quebra no padrão, ou próximo de uma reinvenção da roda. Ao contrário, este é o capítulo em que a série mais se aproximou de momentos clássicos de Star Trek. 

Com um capítulo usado para mostrar as consequências das ações de Lorca, com Mudd invadindo a Discovery e usando sua tecnologia capaz de criar janelas de tempo de 30 minutos que precisam ser reiniciadas por ele, sempre que algo der errado, Discovery me aproximou muito da aura Trek que suas antecessoras trabalharam, com maestria (nem todas) no passado. 

Magic To Make The Sanest Man Go Mad não é um episódio perfeito, mas é definitivamente melhor conduzido em termos de ficção cientifica do que os que vieram antes. Existe um clima de ciência que não entendo, não é possível e mesmo assim é bem representada e explicada, que apenas fãs do gênero conseguirão apreciar verdadeiramente. Contudo, muito mais do que uma demonstração de cenas e montagens que homenageiam a ficção científica, este é um episódio que faz muito por seus personagens. 

Começando por Stamnets, gostei bastante de vê-lo mais leve, apesar de ainda perturbado pela experiência de conexão com o universo, após a injeção do DNA do tardígrado. Suas interações com Michael, seus conselhos amorosos, sua participação geral no episódio foi uma ótima forma de termos mais do chefe engenheiro e também do restante do time da série. 

Outro ponto que foi bem trabalhado, apesar de um pouco enfadonho em alguns momentos, foi o crescente romance entre Michael e Ash, que ainda tem em sua aura um ar de traição. Não acho que o personagem realmente seja um traidor, afinal, após a incursão de Mudd ele não teria motivos para permanecer leal. Contudo, foi por causa dele que alguns ótimos momentos surgiram, inclusive o de sua morte. 

Falando em morte, este também foi o episódio em que Mudd mais esteve sombrio e perigoso. Existiu uma sombra de comicidade quando o vilão apareceu matando Lorca, diversas vezes, mas é um tipo de humor que apenas mostra como este homem é perigoso. Tudo bem, o final não foi tão agradável e surgiu como uma repetição do que acontecerá com ele, novamente, no futuro (TOS), mas contribuiu para a criação de um episódio bem forte e estruturado, além de divertido – que é a coisa mais importante no final do dia, certo?

Claro que a principal missão da série é a constante expansão de Burnham, afinal ela é a protagonista da série. Neste momento, porém, o roteiro não faz o possível para dar destaque apenas para ela. Existe uma história sentimental ali no fundo, com a confissão de que a personagem nunca havia se apaixonado, mostrando um pouco mais das consequências de sua criação Vulcana, mas o destaque, apesar de grande, não exclusivo de Michael.

Outro aspecto que o episódio trabalhou bem foi o envolvimento destes tripulantes como pessoas comuns, além de uma melhor exploração da Discovery, que até então estava limitada a quartos, ponte de comando e laboratório. É muito bom ter mais destes elementos, porque no fim do dia a série leva o nome da nave, que já mostrou sua relevância para a produção e também para a guerra contra os Klingons.

E por falar na guerra e suas consequências, finalmente tivemos a oportunidade de ter um episódio em que ela é presente, mas não dominante. Sim, Mudd está trabalhando para os Klingons e parte de sua motivação é conseguir para seus contratantes a tecnologia secreta da nave, seu motor de esporos, mas o que realmente faz com que o mercenário/carniceiro se envolva na missão é seu desejo de vingança após ser abandonado por Lorca na nave prisão, para ser torturado pelos Klingons.

Discovery pode não ser a série mais centralizada em sua temática e ainda tem em sua construção vários problemas estruturais, mas após um ótimo e divertido episódio já consigo ver a produção seguindo um rumo bem mais agradável para sua história. De tudo o que Magic To Make The Sanest Man Go Mad, seu maior trunfo foi a centralização na interação destes personagens, fazendo deles um ponto de preocupação para quem acompanha a produção. Tilly, Stamnets, Michael e Ash Tyler, com pouco destaque (exceto para Michael), já conseguem compor uma tripulação interessante. O foco, que a série precisará deixar cada vez mais claro, sempre deverá ser em cima destas pessoas que compõe a tripulação, nunca apenas na guerra. E com seu sétimo capítulo Star Trek Discovery se aproximou cada vez mais de sua missão principal.

Direto da ponte de controle, as conexões e easter eggs de Star Trek Discovery

– O título do episódio é uma homenagem a Ilíada, de Homero. Troque apenas mágica por sim, e voilá. 

– Este também é o primeiro episódio de Discovery em que nenhum Klingon apareceu, fisicamente. 

– Aparentemente as repetições de Mudd duraram 28 horas, considerando sua declaração de que ele havia matado Lorca 33 vezes e seus três reboots após esta declaração. 

– Em TNG também vimos os efeitos do  anicium-yurium, usado por Mudd para explodir a Discovery e com retorno em TNH: Night Terrors.

– Também tivemos um time loop em Enterprise: Future Tense

– Outro personagem também já esteve ciente de alterações na linha do tempo, Guinan em TNG: Yesterday’s Enterprise. 

Discovery apresenta um episódio ao melhor estilo Feitiço no Tempo e o resultado é ótimo Viagens no tempo, repetições temporais e todos os problemas que giram ao redor deste conceito, não é nenhuma novidade para o fã de Star Trek. Já vimos algo similar ao que TNG fez em "Causa e Efeito", logo o que Discovery criou em seu sétimo episódio não surge como uma quebra no padrão, ou próximo de uma reinvenção da roda. Ao contrário, este é o capítulo em que a série mais se aproximou de momentos clássicos de Star Trek.  Com um capítulo usado para mostrar as consequências das ações…

Star Trek Discovery

Magic To Make The Sanest Man Go Mad

Nota

Com uma boa e velha dose de viagens no tempo e linhas alternativas, Discovery criou um ótimo episódio para a franquia Star Trek.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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