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Crítica|Justiceiro – Primeira Temporada

Marvel’s Punisher chega com muita pressão, violência e ritmo um pouco decepcionante

O universo Marvel desenvolvido pela Netflix começou com uma crescente considerável. Demolidor apresentou ao mundo que uma série ambientada no universo de histórias em quadrinhos poderia ser sombria, pé no chão e competente. Veio Jessica Jones e a experiência mostrou que também era possível inserir temas adultos em uma narrativa fantástica. Contudo, Luke Cage, apesar de muito relevante, trouxe a discussão de uma fadiga dentro do mundo de heróis e heroínas. Não obstante, Punho de Ferro derrubou qualquer sensação de coesão, ou de qualidade. Nem mesmo a queridinha Defensores conseguiu superar a maldição que parece alocada no lado Netflix da Marvel. Será que Frank Castle, o Justiceiro, introduzido durante a dividida segunda temporada de Demolidor, conseguirá quebrar esta maldição? Bom, não totalmente. 

Frank Castle é um homem perturbado, assombrado, que sofre de estresse pós traumático e que tem, alojada na cabeça, uma bala que provavelmente serve como um potencializador destes traumas. A última criação do personagem, após três adaptações para o cinema, serve para fazer a conexão da tragédia da família Castle, com a atual situação de seu personagem principal. Totalmente isolado e revivendo seus piores momentos em pesadelos bem reais, Frank se distancia de uma vida combatendo a escória do crime de Nova York, para tentar viver uma vida normal. Ele trabalha, visita, mas não participa, de um grupo de apoio para militares veteranos, e sofre pela perda de sua família.

Sua primeira cena, tocando violão com a filha, é uma lembrança de um período que não voltará mais. O roteiro de Steve Lightfoot (Narcos e Hannibal), showrunner da série, não é muito ágil, mas neste primeiro momento agilidade não é tão importante. Para alguns o ritmo da série poderá soar um pouco arrastado em determinadas partes, especialmente enquanto estamos acompanhando a agente Dinah Madani, mas no geral existe um consumo de história que acompanha uma batida interessante. Por se tratar de uma produção tão diferente e separada do restante do universo Marvel para a Netflix, a tentativa de entregar, a todo momento, uma nova origem (recontada) para Frank é o combustível da primeira metade da série.

Justiceiro também não se cala ao tecer algumas críticas ao governo norte americano e ao tratamento de veteranos de guerra. A próxima guerra será travada aqui, diz um dos participantes da reunião para homens e mulheres que sobreviveram a guerra, mas continuam com cicatrizes (mentais) bem abertas. E esta fala representa muito para Frank, assim como para outro membro daquele time de apoio, Lewis. É uma maneira de colocar o dedo na ferida de um governo que está, anualmente, enviando cada vez mais jovens para morrer, sofrer e depois os abandonar. Nesta parte existe um acerto, mesmo que para tal o ritmo tenha sido sacrificado.

Contudo a série é um pouco mais lenta do que eu esperava. A cena final de cada episódio, com um banho de sangue, é capaz de elevar o ânimo e te fazer querer apertar play imediatamente para o próximo capítulo, mas até terminar estes 50 minutos demoraram um bocado. Não vejo como um problema, adorei Luke Cage (com ressalvas) e Jessica Jones é a minha favorita da Marvel Netflix, mas compreendo quem apareceu esperando um rompimento, especialmente após tantas reclamações quanto ao formato.

O papel dos personagens coadjuvantes também é bem delimitado. Karen Page está melhor em Justiceiro do que esteve na última temporada de Demolidor. Seu papel aqui, de uma repórter competente, é muito mais condizente do que aquele exposto em sua série de origem. Inclusive é ela quem traz à luz o debate do desarmamento, que a equipe criativa tanto se acovardou em discutir. É impossível compreender Justiceiro em um mundo, porque nunca existirá o momento ideal para sua existência. Então, para suavizar o processo, a produção incluiu personagens bem humanos, com histórias reais e riscos palpáveis. Micro e sua família agem como um grande desvio, mas compreensível. Eles precisam existir para fundamentar Castle como um homem comum, mesmo que traumatizado. O herói tem seu lado exposto quando está lutando pela mãe e seus filhos, para que o pai se una a sua família e para que o vilão, sistema, não triunfe. 

De maneira similar funciona Dinah Madani, a agente da Segurança Nacional que recebe o vídeo em que o esquadrão de Frank Castle mata um policial em Kandahar. Ela trabalha metade da série procurando Castle, tentando encontrar o responsável pelo envio do vídeo e as pessoas culpadas pelo assassinato daquele policial, que foi sua fonte. Contudo a produção não ajuda a personagem quando a coloca para manter um relacionamento com Billy Russo, o grande vilão do primeiro ano da série. Existiu uma jogada de clichês desnecessários ali que colocaram a qualidade da produção para baixo, ao invés de destacar a força de Punisher

Castle chegou com um rock do Metallica, mas mostrou que sua praia é mais um country, apesar de momentos bem heavy metal. Como uma história de mocinho e vilão do velho oeste, e com ritmo similar, a trama de Frank Castle é agressiva, apenas em suas cenas de ação. No final Justiceiro é a série da Marvel Netflix que menos se vangloria da proposta do streaming. Sim, é possível terminar tudo em um final de semana, mas a quantidade de cenas e picos de adrenalina não condizem com a ideia de ter um telespectador sempre voltando, imediatamente após o final. Existe um espaço grande para história, algumas com pouca relevância e outras importantes, mas sem o devido destaque.

Talvez para a próxima temporada teremos um Frank mais centralizado em fazer justiça e alongar seu código, impondo medo em mafiosas como Mama Gnucci, mencionada no primeiro episódio e esquecida depois. Castle precisa de um panorama maior.  Quase não existiu preparação. Tivemos uma missão de Frank com Micro para conseguir munições e depois uma grande investigação, mas tudo parou exatamente aí. Foi no ataque terrorista que Justiceiro encontrou seu rumo, mas para chegar neste ponto tivemos que acompanhar toda história de Lewis, que não foi tão boa assim. O fim? Totalmente. O trajeto? Deixou a desejar.

Marvel's Punisher chega com muita pressão, violência e ritmo um pouco decepcionante O universo Marvel desenvolvido pela Netflix começou com uma crescente considerável. Demolidor apresentou ao mundo que uma série ambientada no universo de histórias em quadrinhos poderia ser sombria, pé no chão e competente. Veio Jessica Jones e a experiência mostrou que também era possível inserir temas adultos em uma narrativa fantástica. Contudo, Luke Cage, apesar de muito relevante, trouxe a discussão de uma fadiga dentro do mundo de heróis e heroínas. Não obstante, Punho de Ferro derrubou qualquer sensação de coesão, ou de qualidade. Nem mesmo a queridinha Defensores conseguiu…

Marvel's Punisher

Primeira Temporada

Nota

Imagine ficar preso em sua pior memória, em seu pior pesadelo, eternamente. Esta é a vida de Frank Castle, o Justiceiro. Após finalizar sua missão, iniciada durante a irregular segunda temporada de Demolidor, Frank precisa lidar unicamente com seus fantasmas. E a situação não está nada boa para o homem mais perturbado do universo Marvel.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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