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Crítica|Star Trek Discovery 1.08 – Si Vis Pacem, Para Bellum

Com um episódio dedicado a Saru, Discovery mostrou que é capaz de emular a boa e velha Trek

Quem acompanha Star Trek há muito tempo sabe que a franquia mantém, em seu núcleo, uma mistura de ficção científica e sobrevivência muito grande. Não é por acaso que o lema da produção é “Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve”. Existe um peso muito grande em se propor explorar o desconhecido, além de uma responsabilidade de igual tamanho. Si Vis Pacem, Para Bellum é muito sobre guerra, assunto que continua diminuindo o potencial de Discovery, mas também é sobre conhecer novas espécies e passar por perigos no limite da galáxia, algo que é muito Trek.

O episódio mostra, basicamente, os desafios da Frota Estelar e da Federação em tentar vencer a guerra contra os Klingons. Para o fã de longa data já sabemos exatamente como o conflito terminará e é exatamente por isso que existe uma dedicação grande em mostrar tudo o que estas pessoas estão perdendo com o confronto. Seria muito fácil conduzir o roteiro sem nenhum grande marco, apenas para terminar a batalha lá no final da primeira temporada, mas Discovery é inteligente e sabe que enquanto ela tiver combustível para queimar em torno da temática, o sentido de caminho permanecerá intacto.

Usualmente Star Trek é bem “solta” em suas temporadas, com vários casos da semana e pouco da clássica montagem do vilão principal e da ameaça que perdura toda a temporada. Existem tramas que seguem um caráter similar, com Voyager delimitando uma proposta para toda série, o retorno para casa, mas no fim do dia a história é contada com espaços gigantescos e muitos capítulos soltos.

Si Vis Pacem, Para Bellum é o mais próximo disso, mas mantém sua serialidade intacta ao continuar trazendo a guerra e suas consequências para o mundo destes personagens. O episódio, centralizado basicamente em Saru, é uma ótima maneira de conhecer mais do alienígena e de suas glândulas do medo. Para uma raça que de tão medrosa evoluiu ao ponto de ter um alarme para o perigo, ter o medo excluído e a sensação de unidade e segurança é um prêmio imensurável. Exatamente por isso o desenvolvimento do roteiro é competente ao colocar em Saru o destaque, enquanto deixa Michael e Ash lidando com seus problemas amorosos e de patente. 

O conflito final, com Saru mostrando seu lado velocista, é um dos pontos mais altos do episódio, porque consegue ser estranho e ao mesmo tempo aterrorizador, do jeito que eu me lembro de alguns episódios de Trek. É preciso compreender como aquele homem, após uma vida de medo, se comportaria para proteger a única coisa que ofereceu para ele um sentimento de segurança e unidade. Logo, o episódio é bem sucedido ao tratar Saru com o devido respeito que ele merece, ao invés de tê-lo apenas sendo manipulado por Michael.

O oitavo episódio também dedica um tempo para que a dupla Tilly e Stamets conversassem um pouco, alavancando ainda mais o desenvolvimento do grupo que eu já considero como protagonistas de Discovery. Existe até um momento em que Stamets chama Tilly de capitã, algo que pode estar conectado a sua capacidade de ver através do tempo, graças ao DNA tardígrado e o motor de esporos. É um rompimento com a trama, melhor do que o outro proposto pela série.

Infelizmente o episódio peca por trazer a parte menos interessante de Star Trek Discovery, até agora, os Klingons, de volta ao holofote. L’Rell é uma personagem mais interessante do que todos os outros Klingons que apareceram após a morte do T’Kuvma, mas este ponto positivo não consegue trazer o envolvimento necessário com os acontecimentos fora do planeta dos Pavanos. 

L’Rell não é uma personagem ruim, ao contrário, dentro de tudo o que DIS fez, até o momento, ela é a mais inteligente e também a responsável pela história menos irritante dentro do núcleo Klingon. Trazer a almirante Cornwell garantiu que o idioma klingon não fosse abusado, algo que deixa as cenas deste grupo extremamente lentas, além de conectar a trama daquele lado da galáxia a Frota Estelar. Não foi apenas um jogo de política, busca por vingança e traições, mas uma verdadeira manipulação entre duas mulheres, de raças diferentes, que mais uma vez terminam mortas – ou próximo disso, em uma série que continua sumindo com suas personagens femininas. Existe um problema aí, mas não pretendo discutir agora.

No final Si Vis Pacem, Para Bellum termina com um gancho grande para o último episódio da série em 2017 – Discovery voltará apenas em janeiro de 2018 com episódios inéditos. Resta saber como Lorca e seu time irá lidar com um embate gigante entre ele e a armada Klingon. DIS precisa resolver, de uma vez por todas, os rumos de sua guerra. A série está carente de uma boa pegada de ficção científica e enquanto a trama do embate mantém a produção serializada, sem riscos de capítulos sempre desconectados e oferecendo um motivo definido para que os telespectadores voltem semanalmente, precisamos de mais Star Trek e menos Battlestar Galactica – ASAP!

Direto da ponte de controle, as conexões e easter eggs de Star Trek Discovery

– Em latim o título do episódio é traduzido para “Se você quer paz, prepare-se para a guerra”.

– Este é o nono episódio da franquia a ter um título em latim. Entre eles temos: Sub Rosa, Dramatis Personae, Inter Arma Enim Silent Leges, Ex Post Facto, Non Sequitur, Alter Ego, Terra Nova e Vox Sola.

– A história do episódio é bem parecida com o que já foi feito antes (e será futuramente) em TOS, quando Organianos usaram técnica similar para colocar Kirk, Spock e outros membros, em contato com os Klingons para que eles pudessem atingir a paz. A maneira que os Pavanos afetaram Saru também é idêntica a euforia que os Organianos causam em Spock. 

Com um episódio dedicado a Saru, Discovery mostrou que é capaz de emular a boa e velha Trek Quem acompanha Star Trek há muito tempo sabe que a franquia mantém, em seu núcleo, uma mistura de ficção científica e sobrevivência muito grande. Não é por acaso que o lema da produção é "Audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve". Existe um peso muito grande em se propor explorar o desconhecido, além de uma responsabilidade de igual tamanho. Si Vis Pacem, Para Bellum é muito sobre guerra, assunto que continua diminuindo o potencial de Discovery, mas também é sobre conhecer novas espécies e…

Star Trek Discovery

Si Vis Pacem, Para Bellum

Nota

Si Vis Pacem, Para Bellum é o perfeito episódio de Star Trek, que se não fosse pelo desvio no lado Klingon, teria alcançado a excelência facilmente.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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