Página Inicial / Resenha e Crítica / Crítica - Série / Crítica|Star Trek Discovery 1.09 – Into The Forest I Go (Mid-Season Finale)

Crítica|Star Trek Discovery 1.09 – Into The Forest I Go (Mid-Season Finale)

Discovery se despede de 2017 com um grande gancho, beijo gay e promessas 

Star Trek Discovery começou seu caminho na televisão de maneira bem diferente de suas antecessoras. Com um episódio mais parecido com um filme, cheio de ação e a morte de uma capitã, a sensação de perigo eminente se instalou no coração da tripulação e também do telespectador. Diferente do antecipado, a série trabalhou mais o lado da guerra do que o da Federação, Frota Estelar e afins. Foram nove episódios desenvolvendo, lentamente, o confronto com os klingons, enquanto brincava com missões mais parecidas com a clássica Trek. Com um gancho poderoso a série se despede de 2017 e prepara o terreno para mais ficção cientifica, se minhas teorias estiverem corretas.

E por falar em teorias, graças a Into The Forest I Go a DIS conseguiu movimentar a base de fãs da franquia a criar, com muita força, ideias e hipóteses para o retorno da produção, em 2018. Foram vários momentos direcionados para a antecipação de um futuro que tem tudo para ser brilhante. Com exceção de Enterprise e a série original, nenhuma outra adaptação de Star Trek teve menos do que sete anos, logo, antecipar novos rumos e fronteiras é algo excelente para a mitologia da produção e com esse final várias portas foram abertas.

Só que antes de falar sobre as possibilidades, pretendo discutir um pouco do que aconteceu, de fato, neste nono capítulo. Após o encontro com os pahvanos, a Discovery está prestes a enfrentar a Nave dos Mortos dos Klingons, a responsável pela morte de vários durante a batalha nas estrelas binárias. Com um capitão dedicado a terminar a guerra das guerras, trazer a paz e atingir sua vingança, o confronto é apenas uma questão de tempo. Existe a tentativa de passar o embate como algo nobre, em defesa da raça alienígena inocente que terminou trazendo a guerra para seu planeta, mas não se engane com a frase de Saru, esta luta é bem pessoal – especialmente para a tríade de protagonistas, Michael, Lorca e Ash. 

O momento em que Michael enfrenta o líder Klingon foi o mais bem executado pela série em termos de tensão e boa edição. Enquanto Stamets está em sua trajetória de diversos pulos, aumentando exponencialmente a sensação de perigo eminente, Michael está lutando pela sua vida e também pelo sucesso de sua missão. Existe uma falha na execução da tarefa de levar trambolhos tecnológicos para a nave do inimigo, assim como o uso de Ash, mas o confronto é bem conduzido e consegue impor o clima necessário para que a composição da cena. Trilha sonora e efeitos, trabalhem em conjunto com o roteiro para criar uma peça épica para esta ‘meia temporada’. 

Só que mesmo assim ainda é difícil considerar a maneira fácil que o roteiro justificou a existência de Ash. Quando o chefe de segurança da Discovery aparece na nave e se encontra com L’Rell, a série o despreza totalmente como um personagem e o trabalha como uma ferramenta. Ele precisa sofrer seu estresse pós traumático, explicado pela almirante para que sua cena tenha efeito, para impulsionar Michael para a luta e também para o ápice emocional do episódio. É uma pena, mas a produção corrige este erro quando o coloca em seu pesadelo, mostrando algo que poucas séries realmente decidem fazer: trazer a realidade de homens sobreviventes de estupros – Outlander o fez com mais perfeição, mas o trabalho de Discovery também é bem sólido. 

O roteiro também não faz questão de pintar Lorca com cores mais brandas. Sua mente trabalha, constantemente, em um nível que não permite paz, ou descanso. A trajetória tentando vencer a guerra, sua aproximação de Michael, a escolha de Ash Tyler e também a maneira como ele manipula Stamets, tudo soa como o trabalho de uma mente perturbada e agarrada à imagem do conflito. Lorca trilha seu caminho ao redor de explosões e perigo. Logo, a decisão de não aceitar a medalha de condecoração, optar por jogar a almirante para a jaula dos leões e o medo de perder a Discovery, podem servir como combustível para que ele tenha sabotado o último salto com a tecnologia de esporos, levando toda a tripulação para outra dimensão, ou canto não explorado do espaço. 

Só que o trabalho em cima de Ash Tyler, por enquanto, não anda tão bem quanto o de Lorca. Existe a possibilidade, ainda presente, de que Tyler seja mesmo um espião, ou algo a mais. O primeiro Klingon, parceiro de L’Rell, desapareceu rapidamente após a traição e o roubo de sua nave funerária. Neste episódio as alucinações de Ash me levaram a entender que talvez, com um grande talvez aí no meio, aquele homem não seja mesmo um humano e sim o próprio Klingon, tendo lembranças de quando ele e L’Rell mantinham relações sexuais – com consentimento e após uma bateria de transformações físicas. 

A série ainda mantém em seu grande antagonista, os klingons, seu maior defeito. Dentro desta história não existe nenhuma profundidade. Da mesma maneira que Ash foi usado como ferramenta para posicionar Michael onde ela deveria estar, a produção também o faz com seus vilões. Em nenhum momento fomos apresentados para um povo com nuances, complexidade e qualquer outro desenvolvimento. Não existe humor, não existe personalidade e muito do tempo que passamos ao lado deles é usado para cimentar a presença de personagens com apenas um objetivo, vencer a guerra. Enquanto a Frota Estelar cria romances, alívios cômicos e tons acinzentados, os klingons aparecem com uma cor só. 

Com um final que levanta várias perguntas e teorias, Star Trek Discovery apresenta seu melhor episódio, até agora. Talvez com o fim do embate com os klingos a série finalmente encontre a identidade que tanto procurou nestes nove capítulos. Resta agora teorizar a respeito do ponto no espaço, ou realidade, que nossos tripulantes estão. Torcendo, no processo, para que a crescente não pare com o mid-season finale – o primeiro da história de Star Trek – e que os roteiristas passem a desenvolver pessoas, mais do que conflitos. 

Direto da ponte de controle, as conexões e easter eggs de Star Trek Discovery

– Este foi o primeiro episódio de Star Trek (ou filme) a ter o beijo entre dois homens. O primeiro beijo entre duas mulheres foi em DS9, no episódio Rejoined.

– Também foi no nono capítulo que a série mostrou, pela primeira vez, mamilos femininos. 

– Lorca já havia estudado seu painel de dimensões paralelas antes, em Lethe e  Magic to Make the Sanest Man Go Mad.

– O título do episódio pode ser uma homenagem a John Muir:  “And into the forest I go, to lose my mind and find my soul.

– Stamets se oferece para levar o parceiro, Culber, para assistir a La Bohème. Os atores Anthony Rapp e Wilson Cruz já participaram, em épocas diferentes, do musical Rent, que é baseado em La Bohème

Discovery se despede de 2017 com um grande gancho, beijo gay e promessas  Star Trek Discovery começou seu caminho na televisão de maneira bem diferente de suas antecessoras. Com um episódio mais parecido com um filme, cheio de ação e a morte de uma capitã, a sensação de perigo eminente se instalou no coração da tripulação e também do telespectador. Diferente do antecipado, a série trabalhou mais o lado da guerra do que o da Federação, Frota Estelar e afins. Foram nove episódios desenvolvendo, lentamente, o confronto com os klingons, enquanto brincava com missões mais parecidas com a clássica Trek.…

Star Trek Discovery

Into The Forest I Go

Nota

DIS finaliza sua metade de temporada com um excelente episódio, cheio de ótimos momentos e muita tensão.

User Rating: Be the first one !

Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

Veja Também

Especial|Explorando as possíveis tramas da série ambientada no universo de Senhor dos Anéis, da Amazon Prime

Série baseada no livro O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien está sendo desenvolvida pela Amazon …