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Especial|20 de Novembro – Dia da Consciência Negra

O dia 20 de Novembro marca a data em que Zumbi dos Palmares morreu e serve como símbolo para a luta do povo negro brasileiro. Essa costuma ser uma data em que diversas questões são levantadas, mas não podemos esquecer que por mais que as coisas estejam evoluindo, a passos lentos,  ainda vivemos em um país racista e por esse motivo é sempre bom ter modelos e situações positivas para levantar a nossa auto estima e ascender uma luz de esperança.

Quando falamos sobre ser negro no Brasil é sempre importante pontuar que as vivências variam muito de acordo com o seu gênero, orientação sexual, poder aquisitivo e o tom da sua pele. Mulheres negras são hipersexualizadas de uma forma diferente das mulheres não negras, elas também são tidas como mais fortes e isso acarreta numa série de problemas inclusive em momentos importantes das suas vidas como, por exemplo, no parto ou quando se relacionam com pessoas não negras. Homens negros sejam eles héteros ou gays sofrem com o falocentrismo ainda muito vivo no imaginário popular. Pessoas negras e trans da periferia sofrem com a burocracia para mudar os seus nomes e com todos os critérios médicos necessários para ter acesso ao tratamento ou a cirurgia de redesignação sexual por não terem facilitadores monetários e sociais que a maioria das pessoas não negras possuem.

A comunidade negra brasileira é muito diversa e tem uma série de pautas e objetivos a serem alcançados, mas como sempre a representatividade é algo muito importante nessa luta, por isso ter artistas, personagens, cantores e propagandas que ajudem a mostrar que somos diferentes entre nós e que não correspondemos aos estereótipos que foram sendo criados no decorrer da história é muito importante e por esse motivo neste dia nós precisamos enaltecer essas pessoas,  personalidades e produções.

Em 2017 no universo musical nós tivemos a Linn da Quebrada que lançou o albúm Pajubá onde ela brinca com as palavras ao mesmo tempo em que passa uma mensagem forte, pesada, sensível, com músicas que agradam os fãs da farofa ao mesmo tempo em que nos faz refletir sobre a realidade de pessoas trans. No cenário musical internacional o destaque vai para o Rapper estadunidense Kendrick Lamar. Ele lançou no dia 14 de abril o álbum DAMN., nesse álbum temos a participação de artistas como Rihanna e da banda U2. Entre as músicas que valem prestar atenção estão HUMBLE., DNA. que tem clipe com a participação do ator Don Cheadle (o Patriota de Ferro na franquia Marvel), LOYALT (parceria com Rihanna) e XXX (parceria com U2).

Voltando ao cenário nacional além da Linn também vale a pena destacar a IZA que lançou recentemente a música Pesadão em parceria com Marcelo Falcão, além dessa ela também tem a música Esse Brilho É Meu que conta com a participação da atriz Taís Araújo, que inclusive teve momentos sensacionais esse ano. Tais é atriz, jornalista e apresentadora e virou meme quando se recusou em rede nacional a experimentar um prato servido pela apresentadora Ana Maria Braga, porém ela tem grande reconhecimento por ter trabalhado em diversas novelas da Globo e no último ano ela e seu marido, Lázaro Ramos, tem falado e levantado em seus trabalhos diversas questões relacionadas ao racismo, o que acabou transformando os dois num símbolo de representatividade brasileira.

No que envolve as séries no ano passado nós comentamos sobre Chewing Gun e no início de 2017 foi ao ar o último episódio da segunda temporada, infelizmente foi anunciado que até o momento uma nova temporada não será produzida, mas vale a pena conferir os episódios que estão disponíveis na Netflix. Outra série cancelada em 2017 foi The Get Down, a série tinha proposta de mostrar o início da cena Hip Hop nos EUA e infelizmente foi uma das primeiras a sofrer com os cancelamentos do canal de streaming, mas não podemos deixar de ressaltar a sua importância em relação a representatividade negra e latina tanto na estética como no âmbito musical.

A série desse ano que chamou bastante atenção foi Dear White People, um original Netflix com viés bastante político e totalmente voltado para as questões do racismo que os negros norte americanos sofrem e mostra de forma muitas vezes engraçada situações de preconceito que, infelizmente, são comuns no dia a dia de pessoas negras. O seriado recebeu uma série de críticas do público mais conservador tendo sido ameaçada até de boicote, mas as pessoas para qual ela foi pensada conseguiram se identificar e inclusive foi indicada para que pessoas não negras a assistissem com a perspectiva de tentar entender pelo que nós passamos constantemente e para mostrar toda a pluralidade que existe nessa comunidade.

Nos cinemas uma produção que teve bastante destaque foi Corra (Get Out) que se utiliza do gênero do suspense para falar sobre racismo e tem como protagonista o ator Daniel Kaluuya (Black Mirror). Outra produção bastante interessante e que inclusive ganhou o Oscar foi Moonlight, o filme acompanha o crescimento e desenvolvimento do personagem Chiron – interpretado por Alex Hibbert (na infância), Ashton Sanders (na adolescência) e Trevante Rhodes (na vida adulta) – lidando com a descoberta da sua homossexualidade e relação com o melhor amigo Kevin – interpretado por Jaden Piner (na infância), Jharrel Jerome (na adolescência) e André Holland (na vida adulta) –  enquanto vive dilemas como o envolvimento com o traficante Juan (Mahershala Ali) e a relação com Paula (Naomie Harris), sua mãe.

Esses são alguns dos artistas, séries e filmes que se destacaram por mostrarem diversos aspectos do negro no continente americano e por levantarem questões importantes no que se refere a representatividade, mas ainda há muita luta pela frente, nós ainda precisamos conquistar muitos espaços e trazer a tona diversas discussões. Enquanto isso comente aqui quais as personalidades e produções que trazem representatividade negra e que não foram comentadas neste texto e comente também quais são as suas expectativas para o ano que vem.

Sobre Angresson da Silva

Nascido em 88, ariano, meio diferentão devido ao ascendente em aquário e que adora conhecer novos animes, mangás, HQ’s, jogos, filmes e séries, sempre se preocupando com a representatividade em todas essas mídias. Ainda não formado, mas gosta de escrever suas opiniões e se auto intitula um Nerd Fajuto por não se identificar com os padrões de muitos Nerds.

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