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Crítica|RuPaul’s Drag Race All Stars 3.01 – All Stars Variety Show

RuPaul’s Drag Race All Stars volta prometendo mais uma temporada de eleganza extravaganza!

E pelo visto o acerto em cima da escolha do elenco será, mais uma vez, o grande responsável pelo sucesso de uma temporada que já começou prometendo ótimos momentos. Diferente de sua primeira edição e bem próximo da segunda, All Stars inicia trazendo de volta a dinâmica de desafios individuais, com a eliminação feita pelas próprias participantes e os jurados escolhendo as melhores performances ao invés das piores para o lipsync for your legacy. 

A grande surpresa do ano não foi o retorno de Shangela, pela terceira vez competindo pela chance de ganhar a coroa, mas sim a volta de BeBe Zahara Benet, campeã da esquecida primeira temporada. Para alguns, o movimento de trazer uma queen que já conseguiu conquistar seu espaço no pódio é injusto, mas acredite, não é. A primeira temporada, totalmente experimental como foi, começou com uma das juradas que só havia sido contratada porque Michelle Visage estava muito ocupada e não pode comparecer. O ano inaugural, que para qualquer produção é complicado e fadado a reformulação futuramente, nem ao menos conseguiu ser mantido pela Netflix – aqui no Brasil ela ficou pouco tempo no catálogo. E aquele filtro? Bom, dar uma nova chance para BeBe é algo interessante, especialmente dada a relevância que sua participação traz. Contudo, teria sido mais inteligente vê-la futuramente, afinal, já temos outras participantes com um culto de fãs nesta temporada, Trixie e Shangela.

O episódio já começa fazendo uso de suas duas campeãs, Chad e Alaska, em uma esquete que remete a Handmaid’s Tale, série premiada e que fala a respeito dos perigos do cerceamento dos direitos das mulheres e homossexuais, frente a um Estado governado pelos preceitos retrógrados da religião. É uma peça rápida em que as duas queens discutem suas expectativas para a chegada da terceira rainha, mas também conecta o telespectador diretamente ao período complicado que os Estados Unidos está vivendo, ao lado de Trump e seus discursos que vão contra LGBTQ+.

Entrando agora dentro do episódio, por se tratar de um primeiro momento e repetindo a fórmula da temporada anterior, as participantes são apresentadas e já recebem, além da surpresa da presença de BeBe, a definição do desafio da semana – um que elas sabiam desde que foram contactadas pela produção do programa e por isso serão julgadas, aqui, com mais ardor. O show de talentos!

Trixie Mattel – Canção com auto-harpa

Trixie é a primeira a entrar, e também a que está mais “fresca” na memória de quem acompanha fervorosamente o mundo drag. Ao lado de Katya ela tem um canal no YouTube e um programa de televisão, também com a amiga, o “Trixie and Katya Show”, do canal Viceland. Aparentemente é bem complicado falar a respeito de seu crescimento porque 1) o visual continua o mesmo 2) a personalidade também. Mas principalmente, após ter sido injustamente eliminada em sua edição, após um lipsync que ela dominou contra Pearl, Trixie não figura como uma participante que tenha sido retirada do programa por não ter sido boa o suficiente, foi mais uma questão de RuPaul altamente medicada durante a sua decisão.

O talento apresentado foi uma canção usando uma auto-harpa. Bom, Trixie é uma queen mais conhecida pela sua comédia e usar uma música sem nenhuma batida engraçada – que eu fiquei esperando o tempo todo – é algo meio blasé, mas ao mesmo tempo demonstra a tão cobrada versatilidade. É bom o suficiente para a manter salva para o próximo episódio, garantindo a diversidade em seu número, mas não forte o bastante para ganhar a competição. Acredito que já no próximo Trixie deverá voltar a sua boa e velha forma.

Milk – Música e apresentação de moda com placas

São poucas as queens que conseguem diversificar seu trabalho pós Drag Race e Milk é parte deste seleto grupo que vai além dos shows em clubes. Contudo, o trabalho de Milk no mundo da moda não foi exatamente como drag, mas sim como menino, em capas de revistas e ensaios – existiram trabalhos in drag também, mas não foram usados pela edição na montagem. Logo, seu retorno é seguido da mesma impressão que tive dela durante a sexta temporada: esteticamente interessante, bonito, mas meh.

A apresentação do talento conseguiu ser menos interessante que sua personalidade. Usar o mundo da moda para contar sua história é bem válido, mas fazê-lo sem qualquer vida não conseguiu provar nenhum ponto. Ok, Milk, você é fashion. Já tínhamos entendido isso, há uns 4 anos atrás.

Chi Chi DeVayne – Acrobacia com bastão

Ok! Vamos começar falando de Chi Chi e já retirando o grande elefante branco da sala. Durante seu ensaio com o bastão, ela cortou a mão e por isso apareceu com o dedo enfaixado e bem bagunçada. Contudo, desde sua apresentação uma coisa já havia ficado bem clara: Chi Chi não evoluiu muito desde sua saída. Usar um vestido feito com sacolas de lixo é condizente com sua entrada durante a oitava temporada e bom, isso nunca é muito bom quando você está procurando por evolução, não é mesmo? Pior ainda quando o chapéu grudado com fita na peruca insiste em não ficar na cabeça.

Quando Chi Chi chega ao momento da apresentação, após já ter provado que seu forte é a dublagem, a queen escolheu fazer suas acrobacias com um bastão. Gosto bastante da Chi Chi e torci muito por ela durante sua temporada, mas fica difícil repetir a torcida quando ela aparece sem sapato, com uma peruca que não a ajudou em nada na apresentação e com uma roupa tão ruim. Lembrando que ela já sabia, desde o começo, que o primeiro desafio seria esse. Então o fato de tudo ter sido planejado com certeza explica o motivo por trás de sua quase eliminação.

Thorgy Thor – Violino

Da mesma maneira que Chi Chi, Thorgy chegou tentando provar que mudou, que cresceu e está diferente daquela Thorgy que apareceu durante o oitavo ano e assim como Chi Chi, a edição deixou bem claro que algumas coisas não mudaram tanto assim. Thorgy ficou excessivamente relembrando o nome Bob, além de não ter passado no teste de foco, ao se distrair com um fio de cabelo preso no óculos.

Não sou contra números musicais e simplesmente amei a roupa que ela usou durante o show, mas nem mesmo a música mais animada do mundo, tocada em um violino, conseguirá me prender por tempo suficiente enquanto outras participantes saltam de cima de caixas e afins. É um bom número, mostra versatilidade, mas terminou um pouco entediante.

Morgan McMichaels – Lipsyncing

Lá na segunda temporada, quando a série finalmente começou a ganhar o reconhecimento que merece, existiu Morgan McMichaels, que protagonizou um dos momentos mais icônicos do programa, até hoje, com Mistic “I’m from Chicago”. Bom, aparentemente este foi o feito mais marcante de sua carreira. Esse e o fato dela ter brigado com Tyra Sanchez, campeã do segundo ano e que espalhou, para várias pessoas, que Morgan havia falecido, o que rendeu uma ótima briga e explica o motivo pelo qual ela ficou falando a respeito de parecer bem o bastante para uma “vadia morta”.

O primeiro grande erro de Morgan, o mesmo que a garantiu péssimos momentos em sua temporada, é sua falta de freio. A queen provou que não aprendeu a segurar a própria língua, independente da temporada. Expor, no meio do salão, no primeiro episódio (OH GOD WHY?) que eliminaria a mais forte garantiu, logo de cara, combustível suficiente para que qualquer outra participante escolhesse o nome dela, na primeira oportunidade. E bom…

Morgan não conseguiu fazer muito, talvez por causa de sua ansiedade. A apresentação não foi interessante, a letra não teve nenhuma batida engraçada e o erro de principiante ao não olhar para os jurados enquanto apresentava a garantiu, facilmente, um espaço no bottom two.

Aja – Lipsync e dança

Enquanto umas pensam que evoluíram, existem outras que realmente mudaram – um pouco – desde sua temporada de origem. Aja é uma delas! A maquiagem está realmente melhor e a atitude também melhorou bastante. Aja participou de sua temporada se achando a melhor competidora e a mais capaz, só para ter seus sonhos esmigalhados por Valentia. O ataque que rendeu o melhor momento de sua temporada não foi um mérito dela, mas sim uma explosão de inveja – independente de sua opinião a respeito da Linda Evangelista.

E é na dublagem que Aja mostra que realmente tem algo para oferecer. Sua atitude mais cheia de energia e decisão foram responsáveis por arremessá-la a frente das outras competidoras, com um salto da morte realmente mortal – nem tanto, eu sei.

BenDeLaCreme – Burlesque

BenDeLa também foi uma ótima participante durante sua temporada, eliminada graças a outra dose altíssima de remédios para os nervos que mama Ru toma antes das luzes do cenários acenderem. E por causa disso ela recebe mais atenção das outras participantes, além de ter ficado de fora do grande cenário de tour que as drags de RPDR saem após participarem do programa. Seu retorno é diferente de Chi Chi, que usou o mesmo modelo de vestido, porque ela adaptou aquele que a garantiu a faixa de miss simpatia. É uma mensagem bem clara, certo? DeLa ainda está presa no status de simpatia, mas com um twist, afinal ela vence o desafio de leitura. Meninas boas também sabem cortar, no final.

A apresentação burlesca foi ótima porque mostrou o lado cômico da artista, sem deixar de lado uma performance realmente teatral. Seu ato a separou bem das outras participantes. Não foi uma rotina de dança, apenas, mas também não foi uma de comédia, apenas. Não é difícil acreditar que ela poderá chegar bem longe, se manter esse ritmo.

Kennedy Davenport – Dança

Outra pageant queen e que não precisou mudar muito, mas que felizmente se manteve, foi Kennedy. Meu maior medo era que ela se transformasse na nova Coco da temporada, com performance incrível em seu ano, mas decepcionante no retorno. Kennedy, contudo, chegou como a dona do espetáculo, exatamente como ela saiu.

A dança também mostra que não existem muitas diferenças da Kennedy do passado para a do presente. É energética, bem feita e, de certa forma previsível. Porém, nada entediante. O que a garante a segurança no fim do episódio.

Shangela – Lipsync e Dança

Shangela, com sua personalidade gritante, está de volta. Durante a terceira temporada ela foi a participante que mais movimentou o jogo, através de sua rivalidade e inexperiência. É comum torcer pela queen que é menos favorecida e preparada. Faz parte do nosso instinto tentar proteger quem ainda está começando, chame de instinto paterno/materno, é real. Porém Shangie está beeeeeeem distante daquela queen que nem ao menos conseguia fazer sua maquiagem e penteado sozinha. Para quem não sabe, Shangela foi a queen com maior visibilidade após sua participação, bem mais que sua oponente, Raja.

Não foi nenhuma novidade ver a performance agitada de Shangela, dublando sua música e apostando em seus movimentos de dança. De novo, não é nada novo e eu esperava um stand-up, mas entendo que talvez a produção não tenha permitido algo tão longo assim – especialmente porque acredito fielmente que este momento chegará. Não é possível que colocaram tantas comedy queens sem a pretensão de fazer um stand-uppalooza!

BeBe Zahara Benet – Dança e lipsync

Já falei bastante a respeito do retorno da BeBe ali em cima, por isso não vou me alongar mais. Seu retorno é excitante, porque eu realmente estou ansioso para ver como BeBe se comporta nesta nova Era do reality, mas principalmente por oferecer uma oportunidade tão significativa para uma queen tão poderosa.

A dança apresentada por BeBe, que é do Camarões, é riquíssima e exatamente o que uma apresentação de dança precisa ter para se destacar das outras. O uso da dança típica e tribal, a música, suas caras e bocas… BeBe é realeza!

Claro que em determinado momento precisaríamos chegar na decisão dos juízes e, apesar de não concordar totalmente com a decisão das vencedoras, concordo que Mogan e Chi Chi mereceram a posição de piores da semana. Sim, entendo que Chi Chi estava com a mão cortada, mas o look não combinou nada com o que ela pretendia. Morgan foi decepcionante do começo ao fim e ainda pagou caro por ter falado demais.

A dublagem foi até bacana, mas não tinha como escolher outra pessoa que não DeLa. Enquanto Aja tentava ser sexy, BenDeLa compreendeu que Anaconda da Nick Minaj é o tipo de música que você precisa levar por um lado mais cômico. Entre risadas distorcidas e letra com batida cômica, optar por tentar ser sexy é um erro quando sua saída mais fácil é seguir exatamente o que Minaj pretendia em sua música – não o clipe, por favor.

  • Juíza convidada: Vanessa Hudgens.
  • Mini-Challenge: “Reading is Fundamental “
  • Mini-Challenge Winner: BenDeLaCreme
  • Main Challenge: Drag talent show!.
  • Top Two: BenDeLaCreme e Aja
  • Prêmio do Challenge: Voo e 5 noites no resort e spa Fort Lauderdale
  • Challenge Winner: BenDeLaCreme
  • Bottom Two: Morgan McMichaels e Chi Chi DeVayne
  • Lip Sync: Anaconda” by Nicki Minaj
  • Eliminada: Morgan McMichaels

Observações

– Esta foi a primeira edição do programa a não ter nenhuma segunda colocada. As mais próximas do pódio em All Stars 3 são Kennedy Davenport e Chi Chi DeVayne, em que ambas terminaram em quarto lugar. Esta também é a primeira em que uma campeã compete.

– “Oh meu Deus, o modelo é estática de tv de tão feio. Na verdade, é muito Chi Chi. Eu acho que a Kennedy é a Chi Chi do futuro, que voltou no tempo para dizer a si mesma que ela não vai ganhar o All Stars. Vadia, elas são a mesma pessoa!”

– Protejam Trixie Mattel custe o que custar!

– Quando o boy diz que tem 18, mas na verdade tem 25… cm

– “Este era o lugar da Pearl, que ela se arrastou por ele, então eu estou esperando herdar essa energia”

– Thorgy: “Trixie, fazer filme pornô é seu talento?” Trixie: “Não, eu vou tocar violino. Com uma peruca vermelha. É mais o meu estilo”. Alguém chame a ambulância pra Thorgy.

– “Kennedy é a única rainha que consegue olhar pros dois lados da rua antes de atravessar”. GURL!

– E não é que a Tyra apareceu para mandar sua mensagem para Morgan:

 

RuPaul's Drag Race All Stars volta prometendo mais uma temporada de eleganza extravaganza! E pelo visto o acerto em cima da escolha do elenco será, mais uma vez, o grande responsável pelo sucesso de uma temporada que já começou prometendo ótimos momentos. Diferente de sua primeira edição e bem próximo da segunda, All Stars inicia trazendo de volta a dinâmica de desafios individuais, com a eliminação feita pelas próprias participantes e os jurados escolhendo as melhores performances ao invés das piores para o lipsync for your legacy.  A grande surpresa do ano não foi o retorno de Shangela, pela terceira vez competindo…

RuPaul's Drag Race All Stars

All Stars Variety Show

Nota

All Stars volta usando a fórmula do passado (a que deu certo) e apresentando um novo/velho elenco de participantes carismáticas e talentosas.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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