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Crítica| RuPaul’s Drag Race All Stars 3.03 – The Bitchelor

Quando o quesito é criatividade, esqueça os roteiristas de RuPaul’s Drag Race.

Mas nunca se esqueça do potencial de suas queens para construir ótimos momentos. Após um desafio qualquer coisa no episódio passado e um de atuação bem aquém durante a temporada regular anterior a este All Stars, RPDR finalmente retornou com um grande desafio de interpretação, um que permitiu que cada queen brincasse com seu lado mais forte e mostrasse o que criatividade realmente é. Anotaram, roteiristas responsáveis por 9021-HO?

The Bitchelor é uma paródia de ‘The Bachelor’, série norte americana que coloca um homem solteiro para cortejar e ser cortejado por outras mulheres – para quem não sabe, existe até uma versão gay, chamada Finding Prince Charming (já falamos dela, lembra?). Cada uma das competidoras foi dividida em duplas, com um papel pré-estabelecido e nenhum roteiro. O desafio? Criar as melhores interações com o ‘solteiro’, interpretado pelo maravilhoso Jeffrey Bowyer-Chapman, de Unreal – onde ele interpreta um produtor.

RuPaul divide as participantes em duplas e entrega para cada uma um papel específico. Kennedy é a festeira, ao lado de Aja, a carente. Shangela e Chi Chi dividem o papel do casal poliamoroso, onde Shangie é a lésbica e Chi Chi a bissexual interessada no solteiro. Trixie interpreta a falsa e Milk a stalker. E por último temos Bebe como a virgem (mas não tão santa) e BenDeLa como a cougar (mulher mais velha, solteira e predadora). Cada uma responsável por seus personagens e com uma única regra: não falar por cima da outra – uma muito importante e que sempre é respeitada… no workroom.

Este tipo de desafio é um dos que mais gosto e também o que mais rende em Drag Race. É a chance de ouro para que as queens realmente mostrem do que são capaz e o quanto evoluíram desde sua participação em suas temporadas regulares. De longe, também figura como os melhores momentos do reality, como um todo. Sem falas decoradas, também não temos as irritantes montagens de uma participante lutando contra o roteiro não decorado. A espontaneidade é uma das partes mais interessantes da série e ela dominou este terceiro episódio.

Começando pela dupla Bebe e BenDeLa, preciso confessar que estou decepcionado com a primeira. Bebe, que ficou responsável por interpretar a virgem, recebeu uma direção bem direta de RuPaul: você é a virgem que não quer ser mais virgem. E ao invés de brincar com a temática, Bebe, que já é coroada e não precisa provar nada para ninguém – a não ser que a derrota a faça perder a coroa da primeira temporada – apresentou uma personagem totalmente limitada e com uma nota só. Arrisco dizer que se Milk não tivesse surtado, ela teria terminado no bottom 3 com Chi Chi e Aja. Felizmente para ela, sua interpretação foi boa o suficiente para deixa-la salva.

Já sua parceira, Bendela, mostrou que é uma competidora feroz quando o desafio demanda improviso. Seu papel de Cougar foi bem parecido com aquele que ela fez em sua temporada, com Darriene – que também era de uma cougar, mas viciada em procedimentos estéticos, mas conseguiu fazer muuuuuuito mais em pouco tempo. Era possível vê-la pensando em novas piadas e abordagens enquanto Bebe tentava retirar de seu papel de virgem que deita no chão (??????) para adorar o solteiro, algo engraçado. E Bendela simplesmente destrói em sua interpretação, retirando de Jeffrey alguns risos abafados e depois a confissão de que ele estava levemente enojado – e quem não ficaria com aquela quantidade de banana amassada e salsicha mordida? É ótimo ver uma queen que lutou contra suas inseguranças na sexta temporada, exceder expectativas em All Stars 3, quase cinco anos depois.

Outra dupla que também conseguiu transitar entre o nada interessante e o espetáculo foi Kennedy e Aja. Depois de ter ficado no bottom 2 no episódio passado e após um comentário nada feliz de Milk, Kennedy chegou no desafio com sangue nos olhos e muito a provar. Em seu ano, Kennedy mostrou que sabe criar comédia quando precisa. Ela ganhou o snatch game como Little Richard e quebrou a ideia de que o especial só poderia mostrar queens interpretando mulheres. Aqui, como festeira, Kennedy criou maneirismos próprios para mostrar que é capaz de levar a coroa para casa, ao unir seu estilo refinado com o bagunçado e cômico. O papel de uma festeira, bêbada e sem controle fez com que o holofote ficasse totalmente centralizado nela, independente da dupla apresentada, algo similar ao que Bendela fez com sua cougar.

Aja, por outro lado, mostrou que está mais interessante dando depoimentos do que interpretando. É engraçado, pois quando chegamos na crítica dos jurados, ela realmente confessa que aquilo que fez, é o que ela considerava como needy/carente. Bom, como bem pontuado por Michelle, existe uma diferença bem grande entre carente e insegura, que foi como a Aja terminou sua personagem. Quero muito acreditar que o visual e a personalidade da Aja (nos depoimentos) continuarão mostrando o potencial que ela tem, mas por enquanto ainda a considero bem fraca – apesar de muito evoluída quando comparada a sua temporada inicial.

E então chegamos na PIOR e mais estressante parte do episódio, quando Milk e Trixie apresentam suas personagens. Trixie é uma ótima comediante, qualquer um que tenha assistido seus vídeos com Katya no YouTube sabe do que estou falando – e mesmo em sua temporada, ela conseguiu brilhar, um pouco. Sua versão da garota falsa foi excelente, totalmente desinteressada e bem grossa, pintando uma imagem cômica e também competente para o desafio proposto. Seu único problema foi ter sido pareada com Milk, que não compreendeu o papel que ela deveria criar, tão pouco respeitou a etiqueta de entregar para sua parceira espaço de fala. E aí, bom, teria sido mais bonito assistir duas carroças batendo de frente.

Milk ganhou da produção um papel bem interessante e com potencial, o da stalker – da pessoa que acompanha TODA a sua vida online, sabe de cor o nome de todos os seus melhores amigos, inclusive os de infância, já entrou no perfil dos seus pais e conhecidos para ver suas fotos etc. O que ela fez, porém, não é nada do perfil de uma stalker profissional. Existiram apenas dois momentos que realmente demonstraram esta personagem, quando ela brinca com a distância segura ‘legal’ entre ela e o Jeffrey e também o binóculos. Todo o resto, contudo, foi forçado e errado ao extremo. E ela ainda achou que estaria entre os melhores do episódio. Só que tudo isso poderia ser perdoado se ela não tivesse atrapalhado a performance de sua amiga, Trixie, que terminou sem conseguir falar no último bloco.

Por último e bem menos relevante, temos Shangela e Chi Chi. Eu sinceramente gosto muito da Chi Chi, bem mais do que gostei da Roxxy, mas atualmente ambas estão no mesmo patamar. Visualmente o desfile final foi o melhor look que Chi Chi já fez (ela estava a cara da Tyra Sanchez com o cabelo afro), mas sua insegurança tomou dela qualquer chance de se sair bem no episódio. E Chi Chi teve bons momentos em sua temporada, com papéis de comédia. Infelizmente aqui ela foi totalmente engolida por Shangela, que não precisou fazer muito ou ser tão engraçada para ofuscar a parceira. E ao contrário da Milk, que não deixou Trixie falar, Shangela entregou várias deixas para Chi Chi aproveitar. Uma pena que ela não tenha conseguido.

Na passarela tivemos um desafio em homenagem a um dos momentos mais icônicos de Drag Race, a revelação da peruca por baixo da peruca, protagonizado por Roxxy em seu lipsync contra Alyssa Edwards. Bebe, assim como sua interpretação, foi bem blasé e apenas ok. Já Aja encontrou na sua versão anime algo brilhantemente executado, com não uma, mas duas revelações. Milk, apesar do preto a mostra, também apresentou um visual bem forte e bem construído, algo que ela já estava acostumada a fazer desde seu macacão com barba na sexta temporada. Shangela e seu milho, bom, eu nem tenho o que falar, foi bonitinho, mas eu ainda não entendi porque ela fica se limitando a esse milho sendo que sua participação na terceira temporada foi muito mais do que apenas a referência a milho.

A dublagem final fica entre Bendela, de novo pela terceira vez, contra Kennedy, que saiu do lixo ao luxo em um episódio. A escola da música, Green Light, da Lorde, rendeu um momento um pouco estranho e desconectado. Enquanto está no começo a música é bem lenta e favoreceu bastante Kennedy e sua dramatização. Contudo, quando fica mais animada, ela não permite algo diferente, porque a Lorde continua cantando como se o instrumental não tivesse mudado. Foi o que Kennedy fez, enquanto Bendela, pela terceira vez, apostou na mistura do cômico com a dublagem da letra. Claro que não tem como vencer Kennedy e assim como Katya, Bendela amarga a derrota.

E em um movimento totalmente reality show, Kennedy elimina Milk, que no começo do episódio havia desmerecido o tipo de drag da Kennedy, ao dizer que preferia a permanência da Thorgy – algo que ela só fez, realmente, para implicar com Shangela, assim como sua defesa da mensagem passivo-agressiva da mesma Thorgy, contra a Shangela, mas que terminou saindo, literalmente, pela culatra. Em termos de merecimento, era obvio que a escolha mais sensata seria mandar Chi Chi para casa, mas como uma pessoa bem vingativa que sou (e não sou de escorpião nem nada), eu aplaudi com força o troco dado. Milk é eliminada, mas ainda não acha que merecia, pois em sua cabeça ela foi melhor do que a visão dos jurados – MEU DEUS QUE DRAG CHATA DO CARALHO! E assim, com uma dancinha de Chad e Alaska, Milk dá seu não adeus a competição. Acho que só falta mais uma para a vingança das queens e eu estou ansioso pelo segundo adeus da senhorita grande e leitosa.

Observações de The Bitchelor

– O que Thorgy deixou no espelho para Shangela mostra quão imatura ela realmente é, além de nada profissional – como gosta de anunciar que é. Mas o que esperar da queen que passou mais tempo falando de Bob do que focando na competição?

– Adoro como a Shangela só chama Milk pelo seu user no Twitter ‘Miss Big and Milky’.

– Também adoro como Milk é iludida e a edição certeira.

– RuPaul’s Drag Race acabou de definir o tema da sua terceira temporada. Na primeira você compete e dubla contra outra dupla. Na segunda você dubla e pode mandar alguém para casa. E na atual, você dubla contra a BenDeLa.

– Chi Chi, a nova Roxxxy! Cadê pódio para as arrastadas?

– Pobre Trixie, ofuscada pela Pearl e agora pela Milk. Que sina.

– BeBe não tem nada a provar e está bem blasé. Estou DCpcionado!

– “Você já tirou um cateter antes?”

– “Isso é perfeito para um bebezão como você. Tudo pré amassado” cospe banana mastigada. BenDeLa, não mude nunca.

– Sexta temporada revelou a Milk e All Stars está enterrando. #IntolerantesALactose

– Imaginem BenDeLa e Trixie dublando uma música da Lorde… Milk, te odeio!

– Jeffrey Bowyer-Chapman, que deus.

– Chorando (de rir) porque fui salvo… pela Trixie. 

Quando o quesito é criatividade, esqueça os roteiristas de RuPaul’s Drag Race. Mas nunca se esqueça do potencial de suas queens para construir ótimos momentos. Após um desafio qualquer coisa no episódio passado e um de atuação bem aquém durante a temporada regular anterior a este All Stars, RPDR finalmente retornou com um grande desafio de interpretação, um que permitiu que cada queen brincasse com seu lado mais forte e mostrasse o que criatividade realmente é. Anotaram, roteiristas responsáveis por 9021-HO? The Bitchelor é uma paródia de ‘The Bachelor’, série norte americana que coloca um homem solteiro para cortejar e…

RuPaul's Drag Race All Stars

The Bitchelor

Nota

The Bitchelor mostra que a criatividade mora com as drags e coloca no chinelo os últimos desafios escritos pelos roteiristas.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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