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Crítica|Star Trek Discovery 1.13 – What’s Past Is Prologue

Discovery continua entregando surpresas e saídas inesperadas, mas isso é o bastante?

‘O que é passado é prólogo’ pode fazer referência a própria posição de DIS dentro do cânone de Star Trek. A série, que inicialmente foi apresentada como um prólogo da série clássica, alguns anos antes da Enterprise com Spock e Kirk na ponte de comando, hoje já se distancia muito de qualquer linha do tempo já estabelecida. Ela não consegue, de maneira totalmente satisfatória, fazer uma ponte com Enterprise, Clássica ou Nova Geração. Sim, existem elementos de cada uma dessas dentro de Discovery, mas não como o fã ‘antigo’ gostaria. Existe algum problema nessa abordagem? Um pouco sim e um pouco não. 

Quando Discovery faz pouca questão de trabalhar a linha do tempo já desenvolvida, a série perde o controle, mas continua apresentando bons episódios, apesar de certas inconsistências. Contudo, quando ela é considerada dentro daquilo que Enterprise, Original, Nova Geração, DS9 e Voyajer já construíram, Discovery termina se amarrando em um emaranhado de tramas e resoluções mal apresentadas. Sua grande força, o distanciamento, se transforma no seu principal vilão, o tendão de Aquiles da série. Passado é prólogo funciona intimamente para a história de Michael e Gabriel, assim como a de Michael e Georgiou, mas também faz o elo entre o que a produção é hoje e o que ela aspira ser no passado da franquia e nosso presente. 

Usar a fórmula da surpresa no final de cada episódio é uma estratégia inteligente, pois garante o retorno de sua audiência, assim como uma leve impressão de que tudo foi muito bom, afinal terminamos com vontade de ver mais. Contudo forçar a surpresa como elemento de conquista é algo que pode sair completamente errado, se o final derradeiro não for competente. Até o momento a série tem conseguido se manter de pé, mesmo ao virar o tabuleiro constantemente. 

Seguindo imediatamente após o final do episódio anterior, Michael se une a Phillipa ‘Imperatriz’ para impedir que Lorca tome conta da nave e se consagre como novo Imperador daquele universo. A motivação por trás desta atitude? Dar ao time da Discovery a oportunidade de voltar para casa e evitar que o traidor alcance uma posição de poder confortável e com conhecimento de outros universos, assim como a manipulação dos esporos. Operando paralelamente, a tripulação precisa, ao lado de Paul, destruir a bateria da nave da Imperatriz, que está matando a rede micelial. É uma trama poluída, mas estranhamente funciona.

O mais interessante do episódio, porém, não é a morte de Lorca, apesar de bem vinda, mas sim o relacionamento entre Giorgiou e Michael. Todo protagonista tem o seu momento de arrependimento, aquele que conduz a mocinha ou mocinho a uma dia de heroísmo, privações e vitória. Para Superman foi nunca poder ter salvado seu planeta natal, apesar dos poderes de um deus que ele mantém na Terra. Para o Batman foi não ter conseguido salvar seus pais e para Michael foi não ter conseguido salvar Philippa. Este relacionamento de mãe e filha é tocante e expõe a fraqueza de ambas as personagens. 

A Imperatriz sente a perda e a traição de sua Michael, a Michael sente a culpa de ter perdido sua Philippa e também de ter, indiretamente, a traído. É um peso que ambas carregam e conseguem compartilhar, algo que ajuda a unir estas mulheres. Outro ponto que também contribui é a traição maior, a de Gabriel Lorca, o homem que elas confiaram e que as enganou com tanta facilidade e frieza. Lorca foi um bom mentor para Michael enquanto ambos estavam na Discovery, mas de maneira alguma ele cultivou um relacionamento que o garantisse o beneficio da dúvida ou a redenção. E ele termina morrendo pelas mãos (espada) da Imperatriz, a mulher que estava pronta para morrer e também para levar Lorca para o túmulo com ela. Mas Discovery ainda não está pronta para se despedir de Philippa e eu não estou para dizer adeus para Michelle Yeoh.

Dentro da Discovery, porém, o que temos é a união da tripulação para salvar o dia e também o próprio universo. Acontece que a misteriosa rede micelial é a também a “cola” que mantém todos os universos unidos e vivos. E claro, Paul precisa agir para que o império não drene toda a energia e corrompa de uma vez por todas este ambiente essencial para a sobrevivência da vida. É uma saída bem clichê, mas pelo menos nos garante algo de bom – e também muita preocupação para os roteiristas.

O episódio termina com um salto temporal de 9 meses, os klingons estão ganhando a guerra e com o domínio do maior número de território. A Federação nem ao menos consegue atingir o sinal de “rádio” para que a Discovery entre em contato. O preocupante, porém, é a maneira que DIS irá trabalhar este futuro incerto. Mandar seus personagens para o Universo Espelho é uma coisa, nada do que acontece lá influencia diretamente a vida daqueles que não atravessaram a parede que separa estes mundos distintos, mas comer 9 meses é algo que demanda um trabalho mais minucioso – trabalho que a série não está fazendo como deveria. Existem poucas saídas para resolver este problema. 1) voltar no tempo para um segundo após a partida deles e entregar a tecnologia de camuflagem dos klingons 2) assumir que essa é uma realidade alternativa, como a Kelvin (dos filme) e parar de tentar seguir uma cartilha pré-definida do que a série precisa se tornar. Independente da escolha DIS ainda tem muito o que fazer até que sua temporada inaugural termine. 

Easter eggs e outras informações de What’s Past is Prologue

– O nome do episódio é uma referência ao segundo ato, cena I de A Tempestade, de William Shakespeare. 

– Este é o primeiro episódio da série a não mostrar nenhum klingon. Você sentiu falta? Eu não.

– O Lorca do universo espelho chegou no mundo da Federação da mesma maneira que Spock, Kirk, McCoy e Uhura chegaram em Mirror, Mirror, na segunda temporada de TOS, através de um problema no transportador durante uma tempestade iônica. 

– Mirror, Mirror se passa no ano 2267, e Discovery está no ano 2257, quando que Kirk começou seu serviço a bordo da USS Farragut. Por volta de 2265 Kirk se tornou Capitão da Enterprise. Considerando que toda série de Star Trek (com exceção de TOS e ENT) ganharam 7 temporadas, a última de DIS terminaria em 2264, um ano antes de Kirk começar seu período de 5 anos explorando o espaço e indo onde nenhum homem jamais foi. 

Discovery continua entregando surpresas e saídas inesperadas, mas isso é o bastante? 'O que é passado é prólogo' pode fazer referência a própria posição de DIS dentro do cânone de Star Trek. A série, que inicialmente foi apresentada como um prólogo da série clássica, alguns anos antes da Enterprise com Spock e Kirk na ponte de comando, hoje já se distancia muito de qualquer linha do tempo já estabelecida. Ela não consegue, de maneira totalmente satisfatória, fazer uma ponte com Enterprise, Clássica ou Nova Geração. Sim, existem elementos de cada uma dessas dentro de Discovery, mas não como o fã…

Star Trek Discovery

What's Past Is Prologue

Nota

What's Past Is Prologue oferece uma boa dose de adrenalina para Discovery, mas também abre um leque de problemas futuros para a série.

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Sobre Diego Antunes

Fundador do site, também colabora com postagens para o Série Maníacos com reviews de séries. Nutre um amor incondicional pela Marvel e é leitor ferrenho dos quadrinhos da casa das idéias desde os 12 anos de idade.

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